GUIA SOBRE ABORDAGENS NÃO INVASIVAS NO CUIDADO A IDOSOS COM COMPROMETIMENTO COGNITIVO
Resumo
Objetivo: Analisar evidências científicas sobre abordagens terapêuticas não invasivas no cuidado à saúde de idosos com comprometimento cognitivo e elaborar um guia de recomendações. Métodos: Estudo metodológico em duas etapas. A primeira consistiu em revisão integrativa da literatura, com a pergunta: como a equipe de saúde utiliza intervenções não invasivas no cuidado de idosos com comprometimento cognitivo? A busca foi realizada nas bases LILACS, IBECS, MEDLINE, CINAHL e BDENF, utilizando descritores DeCS/MeSH segundo estratégia PICo: “Aged”, “Health of the Elderly”, “Nursing Care”, “Humanization of Assistance”, “Health Promotion”, “Complementary Therapies”, “Music Therapy”, “Aromatherapy”, “Non-pharmacological Therapy”, “Cognitive Dysfunction” e “Dementia”, combinados por operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos originais publicados nos últimos dez anos, em inglês, português e espanhol, sendo excluídos literatura cinzenta, editoriais, revisões e duplicados. A segunda etapa consistiu na elaboração do guia a partir da síntese das evidências. Resultados: Estratégias como estimulação cognitiva, musicoterapia, intervenções psicossociais e práticas voltadas ao bem-estar emocional apresentam efeitos positivos na qualidade de vida, além de reduzir sintomas como apatia, agitação, ansiedade e distúrbios do sono, impactando a sobrecarga de cuidadores. Conclusão: As abordagens não invasivas são seguras, acessíveis e de baixo custo, aplicáveis em diferentes contextos. O guia sintetiza evidências para sua implementação.
Referências
ALMEIDA, J. R.; OPENHEIMER, D. G. Rastreio de déficit cognitivo em idoso através do mini exame do estado mental – MEEM. Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí - FUVS, 2023.
ANASTÁCIO JÚNIOR, M. P. A.; FALCÃO, D. V. S.; CHUBACI, R. Y. S. Musicoterapia, relacionamento conjugal e doença de Alzheimer: estudo de casos múltiplos. Psicologia em Estudo, v. 30, 2025. DOI: https://doi.org/10.4025/psicolestud.v30i0.57358
ANDRADE, C. L. F. et al. Envelhecer e as principais síndromes geriátricas: relação entre fragilidade, incontinência urinária e quedas. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 3, 2024. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e15434.2024
BASTOS, N. V. et al. A relevância da aplicação do Mini Exame do Estado Mental em idosos do Brasil: revisão integrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 23, n. 1, 2023. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e11275.2023
BERNARDO, L. D. As pessoas idosas e as novas tecnologias: desafios para a construção de soluções que promovam a inclusão digital. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 25, n. 4, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-22562022025.230142.en
BRASIL. Estatuto da Pessoa Idosa assegura direitos de pessoas com 60 anos ou mais. Brasília, 18 jul. 2022. Disponível em: https://www.gov.br Acesso em: 22 ago. 2025.
BRASIL. Relatório Nacional sobre a Demência. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br Acesso em: 26 ago. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt- br/assuntos/noticias/2024/setembro/relatorio-nacional-sobre-a-demencia-estima-que- cerca-de-8-5-da-populacao-idosa-convive-com-a-doenca. Acesso em: 26 set. 2025.
CAMARANO, A. A; KANSO, S. Envelhecimento da população brasileira: uma contribuição demográfica. In: Freitas, V. E; et al. (Orgs.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. p. 133-152. Disponível em: https://ftramonmartins.wordpress.com/wp-content/uploads/2016/09/tratado-de-geriatria-e-gerontologia-3c2aa-ed.pdf Acesso em: 21 set. 2025.
CARVALHO, K. M. et al. Intervenções educativas para promoção da saúde do idoso: revisão integrativa. Acta Paulista de Enfermagem, v. 31, p. 446-454, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-0194201800062
CUNHA, G. L. Mecanismos Biológicos do Envelhecimento. In: Freitas, V. E; et al. (Orgs.). Tratado de Geriatria e Gerontologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. p. 76-101. Disponível em: https://ftramonmartins.wordpress.com/wp- content/uploads/2016/09/tratado-de-geriatria-e-gerontologia-3c2aa-ed.pdf. Acesso em: 21 set. 2025.
DADALTO, E. V.; CAVALCANTE, F. G. O lugar do cuidador familiar de idosos com doença de Alzheimer: uma revisão de literatura no Brasil e Estados Unidos. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 1, p. 147-157, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232020261.38482020
FRANCESCHINI, B. T.; COSTA, M. P. R. A eficácia da Terapia Assistida por Animais no desempenho cognitivo de idosos institucionalizados. Revista Kairós-Gerontologia, v. 22, n. 2, 2019.
GITLIN, L. N.; ROSE, K. Impact of caregiver readiness on outcomes of a nonpharmacological intervention to address behavioral symptoms in persons with dementia. International Journal of Geriatric Psychiatry, v. 31, n. 9, p. 1056-1063, 2016. DOI: https://doi.org/10.1002/gps.4422
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022: número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4%. 2023. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos Acesso em: 12 fev. 2026.
KONTOS, P. et al. Elder‐clowning in long‐term dementia care: Results of a pilot study. Journal of the American Geriatrics Society, v. 64, n. 2, p. 347-353, 2016. DOI: https://doi.org/10.1111/jgs.13941
LÁZARI, M. R. et al. Prevalência e incidência de déficit cognitivo em pessoas idosas: associações com atividade física no lazer. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 25, n. 5, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-22562022025.220127.en
LEAL, R. C. et al. Polifarmácia no idoso: o papel da enfermagem na prevenção das iatrogenias. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 7, 2020. DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n7-871
LEITE, T. F. B.; SOUZA, C. M. Alterações epigenéticas e declínio cognitivo no envelhecimento: revisão integrativa. Revista Neurociências, v. 33, p. 1-20, 2025.
LIN, S. K. et al. Integrating traditional Chinese medicine healthcare into dementia care plan by reducing the need for special nursing care and medical expenses. Medicine, v. 98, n. 7, e14468, 2019. DOI: https://doi.org/10.1097/MD.0000000000014468
LUCENA, F. S. L. et al. Cuidado de enfermagem à idosa com síndrome da fragilidade fundamentado na teoria do conforto. Enfermagem em Foco, v. 11, n. 5, 2020. DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2020.v11.n5.3417
MARQUES, P. P. et al. Uso de práticas integrativas e complementares por idosos: pesquisa nacional de saúde 2013. Saúde em Debate, v. 44, p. 845-856, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-1104202012619
MARTINS, A. K. S. O. et al. Cuidados de Enfermagem para a pessoa idosa com Alzheimer: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 11, n. 16, 2022. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v11i16.38449
MELLO, B. H. et al. Alteração cognitiva e fragilidade física em idosos da atenção secundária à saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 55, 2021.
MELNYK, B. M. et al. Prática baseada em evidências: passo a passo: os sete passos da prática baseada em evidências. AJN The American Journal of Nursing, v. 110, n. 1, p. 51-53, 2010.
MENDES, P. N. et al. Sobrecargas física, emocional e social dos cuidadores informais de idosos. Acta Paulista de Enfermagem, v. 32, n. 1, p. 87-94, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-0194201900012
MREJEN, M.; NUNES, L.; GIACOMIN, K. Envelhecimento populacional e saúde dos idosos: O Brasil está preparado. São Paulo: Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, 2023.
PEREIRA, X. B. F. et al. Prevalência e fatores associados ao deficit cognitivo em idosos na comunidade. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 23, n. 2, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/1981-22562020023.200012
RODRIGUES, T. Q. et al. Impacto da Doença de Alzheimer na qualidade de vida de pessoas idosas: revisão de literatura. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 12, n. 4, 2020. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e2833.2020
ROSE, K. C.; GITLIN, L. N. Background characteristics and treatment-related factors associated with treatment success or failure in a non-pharmacological intervention for dementia caregivers. International Psychogeriatrics, v. 29, n. 6, p. 1005-1014, 2017. DOI: https://doi.org/10.1017/S1041610217000205
SÁ, G. G. M. et al. Tecnologias desenvolvidas para a educação em saúde de idosos na comunidade: revisão integrativa da literatura. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 27, p. e3186, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/1518-8345.3171.3186
SOCIEDADE BRASILEIRA DE GERIATRIA E GERONTOLOGIA. O que o censo de 2022 nos diz sobre o envelhecimento no Brasil? 2023. Disponível em: https://sbgg.org.br/o-que-o-censo-de-2022-nos-diz-sobre-oenvelhecimento-no-brasil/ Acesso em: 21 ago. 2025.
SHIGIHARA, Y. et al. Non-pharmacological treatment changes brain activity in patients with dementia. Scientific Reports, v. 10, p. 6744, 2020. DOI: https://doi.org/10.1038/s41598-020-63881-0
SILVA, P. T. J. et al. Promoção da saúde do idoso frágil. Journal of Nursing UFPE, v. 18, n. 1, 2024.
SMID, J. et al. Declínio cognitivo subjetivo, comprometimento cognitivo leve e demência-diagnóstico sindrômico: recomendações do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. Dementia & Neuropsychologia, v. 16, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1980-5764-dn-2022-s101pt
SOUSA, V. L. P. et al. Educational technology for bathing/hygiene of elders at home: contributions to career knowledge. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0890
TANG, Q. et al. Effect of music intervention on apathy in nursing home residents with dementia. Geriatric Nursing, v. 39, n. 4, p. 471-476, 2018. DOI: https://doi.org/10.1016/j.gerinurse.2018.02.003
VERAS, R. P. Envelhecimento populacional contemporâneo. Revista de Saúde Pública, v. 53, p. 548-554, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-89102009000300020
WHITTEMORE, R. K. K. The integrative review: updated methodology. Journal of Advanced Nursing, 2005. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1365-2648.2005.03621.x
WHO. International Classification of Health Interventions (ICHI). 2020. Disponível em: https://www.who.int/standards/classifications/international-classification-of-health-interventions Acesso em: 22 ago. 2025.
WILFLING, D. et al. Process evaluation of an intervention to reduce sleep problems in people living with dementia in nursing homes: a mixed-methods study. Age and Ageing, v. 54, n. 3, p. afaf051, 2025. DOI: https://doi.org/10.1093/ageing/afaf051
XUE, B. et al. The effect of receptive music therapy on older adults with mild cognitive impairment and depression: a randomized controlled trial. Scientific Reports, v. 13, n. 1, p. 22159, 2023. DOI: https://doi.org/10.1038/s41598-023-49162-6
YUAN, Y. et al. Association of cognitive frailty with subsequent all-cause mortality among middle-aged and older adults in 17 countries. The American Journal of Geriatric Psychiatry, v. 33, n. 2, p. 178-191, 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jagp.2024.08.009
