A ECONOMIA PRISIONAL NA SOCIOLOGIA CRIMINAL BRASILEIRA E O CIRCUITO DE COMÉRCIO NAS PRISÕES: CONTINUIDADES, RUPTURAS E SENTIDOS CONTEMPORÂNEOS
Resumo
O presente artigo examina a constituição intelectual, histórica e sociológica da economia prisional no Brasil, com foco no fenômeno denominado circuito de comércio que estrutura as relações internas das prisões brasileiras. O trabalho se organiza em três eixos: primeiramente, apresenta os traços do circuito de comércio identificados nos pioneiros estudos prisionais; logo explora a conexão entre a produção sociológica brasileira e a consolidação do circuito antes da virada do século XXI; e por fim, articula a produção contemporânea que sistematiza o fenômeno como elemento central da governança prisional e da economia criminal. Demonstra-se que o circuito de comércio, embora não nomeado nos estudos iniciais, já se manifestava enquanto estrutura de trocas, coerção, hierarquia, moralidade e regulação informal das condutas. Argumenta-se que a expansão das facções prisionais, somada à precariedade institucional, consolidou um sistema econômico intramuros que é hoje uma das principais engrenagens de poder no cárcere. Conclui-se que compreender o circuito de comércio é fundamental para analisar a violência contemporânea, a expansão do encarceramento e a economia política da punição no Brasil.
Biografia do Autor
Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Mestre em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Especialista em Atendimento Educação Especial e Inclusiva (Fitec). Especialista em Direito Penal e Processual Penal (Fitec). Especialista em Segurança Pública (Fitec). Graduado em Geografia – Licenciatura Plena (FURG). Graduado em Ciências Sociais (ETEP).
Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Sociologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Licenciado e Bacharel em Ciências Sociais pela mesma instituição. Bolsista CAPES nos programas PIBID (Iniciação à Docência) e PRP (Residência Pedagógica) na área de Filosofia/Sociologia.
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