A ECONOMIA PRISIONAL NA SOCIOLOGIA CRIMINAL BRASILEIRA E O CIRCUITO DE COMÉRCIO NAS PRISÕES: CONTINUIDADES, RUPTURAS E SENTIDOS CONTEMPORÂNEOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47820/recima21.v7i1.7181

Palavras-chave:

economia prisional, circuito de comércio, sociologia criminal, Facções

Resumo

O presente artigo examina a constituição intelectual, histórica e sociológica da economia prisional no Brasil, com foco no fenômeno denominado circuito de comércio que estrutura as relações internas das prisões brasileiras. O trabalho se organiza em três eixos: primeiramente, apresenta os traços do circuito de comércio identificados nos pioneiros estudos prisionais; logo explora a conexão entre a produção sociológica brasileira e a consolidação do circuito antes da virada do século XXI; e por fim, articula a produção contemporânea que sistematiza o fenômeno como elemento central da governança prisional e da economia criminal. Demonstra-se que o circuito de comércio, embora não nomeado nos estudos iniciais, já se manifestava enquanto estrutura de trocas, coerção, hierarquia, moralidade e regulação informal das condutas. Argumenta-se que a expansão das facções prisionais, somada à precariedade institucional, consolidou um sistema econômico intramuros que é hoje uma das principais engrenagens de poder no cárcere. Conclui-se que compreender o circuito de comércio é fundamental para analisar a violência contemporânea, a expansão do encarceramento e a economia política da punição no Brasil.

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Biografia do Autor

  • Eduardo Pinheiro Urrutia, Universidade Federal de Pelotas -UFPEL

    Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Mestre em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Especialista em Atendimento Educação Especial e Inclusiva (Fitec). Especialista em Direito Penal e Processual Penal (Fitec). Especialista em Segurança Pública (Fitec). Graduado em Geografia – Licenciatura Plena (FURG). Graduado em Ciências Sociais (ETEP). 

  • Arleson Renato Luz Costa, Universidade Federal de Pelotas: Pelotas-RS

    Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Sociologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Licenciado e Bacharel em Ciências Sociais pela mesma instituição. Bolsista CAPES nos programas PIBID (Iniciação à Docência) e PRP (Residência Pedagógica) na área de Filosofia/Sociologia.

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Publicado

26/01/2026

Como Citar

Pinheiro Urrutia, E., & Renato Luz Costa, A. (2026). A ECONOMIA PRISIONAL NA SOCIOLOGIA CRIMINAL BRASILEIRA E O CIRCUITO DE COMÉRCIO NAS PRISÕES: CONTINUIDADES, RUPTURAS E SENTIDOS CONTEMPORÂNEOS. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 7(1), e717181. https://doi.org/10.47820/recima21.v7i1.7181