VIOLÊNCIA SEXUAL, HIV E LACTENTE: UM ALERTA PARA A SAÚDE PÚBLICA E A PROTEÇÃO INFANTIL NO BRASIL
Resumo
A violência sexual é um dos grandes males da sociedade por gerações e, nas últimas décadas, observa-se um aumento considerável dos casos de agressão contra crianças, seja por violência sexual ou física. Associado a esse cenário, destaca-se o risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), dentre elas o HIV/ SIDA. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico, de caráter descritivo e analítico, realizado a partir de dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), com delineamento histórico. O estudo de âmbito nacional incluiu crianças expostas ao HIV, com idade inferior a 12 meses, considerando a violência sexual como fator de risco, no período de 2010 a 2024. Resultados: Foram identificados 7.283 registros de violência sexual em lactentes, observando-se tendência de aumento ao longo do tempo e maior prevalência entre o sexo feminino. Em relação à infecção pelo HIV, registraram-se 3.086 casos, com maior frequência entre vítimas do sexo masculino, evidenciando redução temporal na série analisada. Conclusão: Os achados demonstram elevada magnitude da violência sexual infantil, afetando principalmente meninas, enquanto a exposição ao HIV mostrou-se mais frequente em meninos. Apesar do crescimento das notificações de violência, verificou-se diminuição dos casos de HIV/AIDS, possivelmente associada ao aprimoramento das estratégias de diagnóstico, tratamento e prevenção. Persistem, entretanto, fragilidades na proteção das vítimas, mesmo diante de avanços na legislação voltada aos grupos vulneráveis.
Biografia do Autor
Médico - Residente em pediatria pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS) no Hospital Regional de Taguatinga-DF.
Doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB). Docente da Universidade Estadual de Goiás-UEG Anápolis. Professora da Secretaria da Educação de Goiás.
Médica Pediatra, pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Médica-residente em Gastroenterologia Pediátrica, Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (HECAD), Goiás.
Médica Residente em pediatria, pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS) no Hospital Regional de Taguatinga-DF.
Médica Residente em pediatria, pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS)no Hospital Regional de Taguatinga-DF.
Médica Residente em pediatria, pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS) no Hospital Regional de Taguatinga-DF.
Médico Residente em pediatria pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS) no Hospital Regional de Taguatinga-DF.
Médico Pediatra, coordenador-chefe da Residência Médica de Pediatria, pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/FEPECS), e do departamento de Pneumologia, do Hospital Regional de Taguatinga-DF (HRT).
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