COMPARATIVO ENTRE MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Resumo
O interesse na avaliação da composição corporal vem crescendo exponencialmente nos últimos anos, sendo um reflexo da expansão do mercado fitness mundial, tornando-se um fator primordial na avaliação nutricional. A avaliação da composição corporal auxilia a identificar e acompanhar o tratamento nutricional, bem como auxilia na melhora da performance de desportistas e atletas em diferentes modalidades. Diante disso, muitas discussões têm sido levantadas entre os profissionais da saúde sobre qual dos métodos mais difundidos apresenta maior fidedignidade para a avaliação do estado nutricional. Dessa forma, este estudo objetivou, por meio de uma revisão sistemática, comparar as diferentes técnicas de análise de composição corporal. A pesquisa foi realizada por meio da busca sistemática nas bases PubMed, SciELO e ScienceDirect, usando os descritores selecionados a partir do Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Body Composition AND Skinfold Thickness AND Electric Impedance. Foram selecionados 6 estudos nos quais foram avaliadas 788 pessoas por diferentes métodos de análise de composição corporal. Foi possível observar que o método de avaliação por dobras cutâneas apresentou dados estatisticamente significativos quando comparados à métodos indiretos (DEXA, pesagem hidrostática). Todavia, como não foi possível comparar, de modo padronizado, a adipometria e a bioimpedância multifrequencial com um mesmo método indireto, não se alcançaram resultados conclusivos.
Referências
AANDSTAD, A. et al. Validity and reliability of bioelectrical impedance analysis and skinfold thickness in predicting body fat in military personnel. Military Medicine, v. 179, n. 2, p. 208–217, 2014.
BARONE, M. et al. Assessment of body composition: intrinsic methodological limitations and statistical pitfalls. Nutrition, v. 102, p. 111736, 2022.
BEHNKE, A. R.; WILMORE, J. H. Evaluation and regulation of body build and composition. New Jersey: Prentice Hall, 1974.
CAMPA, F. et al. Determining body composition using different bioimpedance technologies: is an agreement possible? Clinical Nutrition, v. 44, n. 1, p. 180–188, 2025.
FILHO, J. F. A prática da avaliação física: testes, medidas e avaliação física em escolares, atletas e academias de ginástica. 2. ed. São Paulo: Shape, 2003.
FRIEDL K. E. et al. Lower limit of body fat in healthy active men. Journal of Applied Physiology, v. 77, n. 2, p. 933–940, 1994.
GUEDES, D. P. Procedimentos clínicos utilizados para análise da composição corporal. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 15, n. 1, p. 113–129, 2013.
HAVERKORT, E. B. et al. Bioelectrical impedance analysis to estimate body composition in surgical and oncological patients: a systematic review. European Journal of Clinical Nutrition, v. 69, n. 1, p. 3–13, 2015.
KYLE, U. et al. Bioelectrical impedance analysis. part I: review of principles and methods. Clinical Nutrition, v. 23, n. 5, p. 1226–1243, 2004.
LICHTENBELT, M. L. et al. Body composition changes in bodybuilders: a method comparison. Medicine & Science in Sports & Exercise, v. 36, n. 3, p. 490-497, 2004.
MARTINS, C. Introdução à avaliação do estado nutricional. Curitiba: Instituto Cristina Martins: Educação em Saúde, 2009.
NARDO, J. N.; TIRAPEGUI, J. Nutrition and physical activity (and Other questions). Journal of Physical Education, v. 13, n. 2, p. 113-117, 2008.
PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. 6. ed. Porto Alegre: Fontoura, 2011.
PIVARNIK, J. M.; PALMER, R. A. Balanço Hidroelétrico Durante o repouso e o exercício. In: WOLINSKY, I.; HICKSON, J. (Eds.). Nutrição no Exercício e no Esporte. 2. ed. São Paulo: Roca, 1996.
RODRIGUES, M. N. et al. Estimativa da gordura corporal através de equipamentos de bioimpedância, dobras cutâneas e pesagem hidrostática. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 7, n. 4, p. 125-131, 2001.
SAGAYAMA, H. et al. Comparison of bioelectrical impedance indices for skeletal muscle mass and intracellular water measurements of physically active young men and athletes. The Journal of Nutrition, v. 153, n. 9, p. 2543-2551, 2023.
SAMPAIO, L. R. Avaliação nutricional. 5. ed. Salvador: Editora da Universidade Federal da Bahia, 2012.
SANTOS, C. M. C.; PIMENTA, C. A. M.; NOBRE, M. R. C. A estratégia PICO para a construção da pergunta de pesquisa e busca de evidências. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 15, n. 3, p. 508-511, 2007.
SUN, G. et al. Comparison of multifrequency bioelectrical impedance analysis with dual-energy X-ray absorptiometry for assessment of percentage body fat in a large, healthy population. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 81, n. 1, p. 74-80, 2005.
THOMAS, L. et al. Acute fluid intake impacts assessment of body composition via bioelectrical impedance analysis: a randomized controlled crossover pilot trial. Nutrients, v. 15, n. 8, p. 1870, 2023.
TORRES, M. S.; SILVA, V. F. Estudo comparativo de métodos para predição do percentual de gordura corporal: uma abordagem do método de Dotson & Davis (1991). Diário de Fitness e Desempenho, v. 2, p. 41-48, 2003.
UGRAS, S. Evaluating of altered hydration status on effectiveness of body composition analysis using bioelectric impedance analysis. International Journal of Environmental Health Research, v. 30, n. 2, p. 174–190, 2020.
VERLOOY, H. et al. Body composition by intercomparison of underwater weighing, skinfold measurements and dual-photon absorptiometry. The British Journal of Radiology, v. 64, n. 764, p. 765–767, 1991.
