ASSOCIAÇÃO ENTRE INSTABILIDADE FUNCIONAL DO TORNOZELO, CARGA DE TREINO E SAÚDE EM CORREDORES DE RUA: IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA FISIOTERAPÊUTICA
Resumo
Considerando o crescimento expressivo da corrida de rua e a elevada ocorrência de problemas de saúde musculoesqueléticos associados à prática, torna-se relevante compreender fatores clínicos e de treinamento relacionados a esse cenário. Nesse contexto, destaca-se a possível influência da instabilidade funcional do tornozelo e da carga de treino no impacto funcional relatado por corredores. Objetiva-se avaliar a associação entre instabilidade funcional do tornozelo, carga de treino e problemas de saúde relacionados à prática esportiva em corredores de rua. Para tanto, procede-se a um estudo observacional, analítico, de delineamento transversal, realizado com 45 corredores participantes de um evento esportivo no município de Cametá, Pará. A instabilidade funcional do tornozelo foi avaliada por meio do Cumberland Ankle Instability Tool – versão brasileira (CAIT-BR), enquanto os problemas de saúde relacionados à prática esportiva foram monitorados pelo Oslo Sports Trauma Research Center Questionnaire – versão brasileira (OSTRC-BR). Observou-se que 42,2% dos participantes apresentaram instabilidade funcional do tornozelo e 68,9% relataram problemas de saúde relacionados à corrida. Corredores com instabilidade funcional apresentaram maior gravidade de problemas de saúde (p= 0,047), sendo identificada correlação negativa entre os escores do CAIT e do OSTRC (ρ= −0,33; p < 0,05). As variáveis de carga de treino, incluindo quilometragem semanal e frequência de treinos, não apresentaram associação significativa com a gravidade dos problemas de saúde (p > 0,05). Conclui-se que a instabilidade funcional do tornozelo está associada a maior impacto funcional na prática da corrida, destacando a importância da avaliação da estabilidade articular no acompanhamento fisioterapêutico de corredores.
Biografia do Autor
Graduando de Fisioterapia (Universidade do Estado do Pará).
Graduando em Fisioerapia (Universidade do Estado do Pará).
Graduação em Educação Física (Licenciatura e Bacharelado).
Especialista Profissional em Fisioterapia Traumato Ortopédica e Esportiva pelo COFFITO
Professor Substituto da UEPA Campus XIII.
Doutorado no PPG de Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários (UFPA), mestrado em Ciência da Motricidade Humana pela Universidade Castelo Branco, graduação em Fisioterapia pela Universidade da Amazônia, Especializações em Reabilitação Neurológica e Fisioterapia Dermato-funcional.
Professora do Departamento de Saúde Funcional do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Professora credenciada ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física (PPGEF) da UFG. Coordenadora do Grupo de Estudos em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Esportiva (GFOrTE) da UFG.
Doutora em Ciências do Desporto, pela Faculdade de Desporto - Universidade do Porto. Professora Associada do Departamento de Desporto da Universidade do Estado do Pará (UEPA), e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, da Universidade Federal do Pará.
Docente e pesquisadora da UEPA, com atuação em saúde coletiva, reabilitação, gerontologia e saúde do atleta, destacando-se na formação de estudantes, orientação científica e desenvolvimento de pesquisas sobre funcionalidade, envelhecimento e populações vulneráveis na Amazônia, com experiência em práticas baseadas em evidências e projetos de ensino, pesquisa e extensão.
Referências
ACKLAND, Timothy R.; ELLIOTT, Bruce; BLOOMFIELD, John. Anatomia e biomecânica aplicadas no esporte. Human Kinetics, 2009.
ALBUQUERQUE, Diogo Barbosa et al. Corrida de rua: uma análise qualitativa dos aspectos que motivam sua prática. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 26, n. 3, p. 88-95, 2018.
BAHR, R.; CLARSEN, B. New guidelines for reporting injuries in sports research. British Journal of Sports Medicine, 2014.
BAHR, Roald; CLARSEN, Benjamin; EKSTRAND, Jan. Por que devemos nos concentrar no impacto das lesões e doenças, e não apenas em sua incidência. British journal of sports medicine, v. 52, n. 16, p. 1018-1021, 2018.
BEHM, David G.; ANDERSON, Kenneth; CURNEW, Robert S. Força e ativação muscular em condições estáveis e instáveis. The Journal of Strength & Conditioning Research, v. 16, n. 3, p. 416-422, 2002.
BERTELSEN, ML et al. Um modelo para a etiologia de lesões relacionadas à corrida. Scandinavian journal of medicine & science in sports, v. 27, n. 11, p. 1170-1180, 2017.
BOMPA, Tudor O.; BUZZICHELLI, Carlo. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. Human Kinetics, 2019.
CAMPOS, Alberto Cordeiro et al. Prevalência de lesões em corredores de rua amadores. Revista Brasileira de Pesquisa em Ciências da Saúde, v. 3, n. 1, p. 40-45, 2016.
CLARSEN, B. et al. The Oslo Sports Trauma Research Center questionnaire on health problems. British Journal of Sports Medicine, 2014.
CLARSEN, Benjamin et al. O questionário do Centro de Pesquisa de Traumatismos Esportivos de Oslo sobre problemas de saúde: uma nova abordagem para o monitoramento prospectivo de doenças e lesões em atletas de elite. British journal of sports medicine, v. 48, n. 9, p. 754-760, 2014.
CLARSEN, Benjamin; BAHR, Roald. Adequação da definição de lesão/doença ao contexto, objetivo e delineamento do estudo: uma abordagem única não serve para todos! British journal of sports medicine, v. 48, n. 7, p. 510-512, 2014.
CORREIA, C. K. et al. Risk factors for running-related injuries: an umbrella review. Sports Medicine, 2024.
CORREIA, C. K., Machado, J. M., Dominski, F. H., de Castro, M. P., de Brito Fontana, H., & Ruschel, C. (2024). Risk factors for running-related injuries: An umbrella systematic review. Journal of sport and health science, 13(6), 793–804. https://doi.org/10.1016/j.jshs.2024.04.011
COSTA, Maria Eduarda Ferreira et al. Prevalência e fatores associados a lesões em corredores recreativos: um estudo transversal. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 215-219, 2020.
DAMSTED, Camma et al. Is there evidence for an association between changes in training load and running-related injuries? A systematic review. International journal of sports physical therapy, v. 13, n. 6, p. 931, 2018.
DOHERTY, C. et al. Chronic ankle instability: pathomechanics and implications for management. Sports Medicine, v. 49, n. 5, p. 687–702, 2019.
GABBETT, Tim J. O paradoxo do treinamento e da prevenção de lesões: os atletas deveriam treinar de forma mais inteligente e intensa? British journal of sports medicine, v. 50, n. 5, p. 273-280, 2016.
GRIBBLE, Phillip A. et al. Critérios de seleção para pacientes com instabilidade crônica do tornozelo em pesquisa controlada: uma declaração de posição do Consórcio Internacional do Tornozelo. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, v. 43, n. 8, p. 585-591, 2013.
HERTEL, Jay. Anatomia funcional, patomecânica e fisiopatologia da instabilidade lateral do tornozelo. Journal of athletic training, v. 37, n. 4, p. 364, 2002.
HERTEL, Jay; CORBETT, Revay O. Um modelo atualizado de instabilidade crônica do tornozelo. Journal of athletic training, v. 54, n. 6, p. 572-588, 2019.
HILLER, Claire E. et al. A ferramenta de instabilidade do tornozelo de Cumberland: um relatório de testes de validade e confiabilidade. Archives of physical medicine and rehabilitation, v. 87, n. 9, p. 1235-1241, 2006.
HULTEEN, Ryan M. et al. Participação global em atividades físicas esportivas e de lazer: uma revisão sistemática e meta-análise. Medicina Preventiva, v. 95, p. 14-25, 2017. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ypmed.2016.11.027
KOSHINO, Y. et al. Sensorimotor deficits in chronic ankle instability: a systematic review. Physical Therapy in Sport, v. 42, p. 114–122, 2020.
LACEY, A. et al. Running-related injury definitions and surveillance methods: a systematic review. European Journal of Sport Science, v. 24, n. 3, p. 475–486, 2024.
LEPHART, S. M.; FU, F. H. Proprioception and neuromuscular control in joint stability. Champaign: Human Kinetics, 2008.
LEPPÄNEN, M. et al. Hip and core strengthening prevents running injuries. British Journal of Sports Medicine, 2024.
MARTIN, R. L. et al. Clinical practice guidelines for ankle stability and movement coordination impairments. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, v. 51, n. 4, p. CPG1–CPG80, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza; DESLANDES, Suely Ferreira; GOMES, Romeu. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 34. ed. Petrópolis: Vozes, 2020. 128 p.
MOUSAVI, S. H. et al. Risk factors for lower limb injuries in runners. Physical Therapy in Sport, 2021.
NORONHA, M. et al. Cross-cultural adaptation of the Cumberland Ankle Instability Tool to Brazilian Portuguese. Brazilian Journal of Physical Therapy, 2008.
PEDISIC, Zeljko et al. Correr está associado a um menor risco de mortalidade por todas as causas, cardiovascular e por câncer, e quanto mais, melhor? Uma revisão sistemática e meta-análise. British journal of sports medicine, v. 54, n. 15, p. 898-905, 2020.
PIMENTA, R. M.; HESPANHOL, L.; LOPES, A. D. Brazilian version of the OSTRC Questionnaire on health problems (OSTRC-BR): translation, cross-cultural adaptation and measurement properties. Brazilian Journal of Physical Therapy, São Carlos, v. 25, n. 6, p. 785–793, 2021.
Ryan M. Hulteen, Jordan J. Smith, Philip J. Morgan, Lisa M. Barnett, Pedro C. Hallal, Kim Colyvas, David R. Lubans,Global participation in sport and leisure-time physical activities: A systematic review and meta-analysis, Preventive Medicine, Volume 95, 2017,Pages 14-25, ISSN 0091-7435, DOI:https://doi.org/10.1016/j.ypmed.2016.11.027
THUANY, M. et al. Running events and participation trends in Brazil. Journal of Sports Sciences, 2021.
THUANY, Mabliny; PETREÇA, Daniel; DE LIRA, Claudio Andre Barbosa. Leveraging the Global Growth of Running to Promote Physical Activity at the Populational Level. Journal of Physical Activity and Health, v. 1, n. aop, p. 1-2, 2025.
VAN GENT, R. N. et al. Incidence and determinants of lower extremity running injuries. British Journal of Sports Medicine, 2007.
VIDEBAEK, S. et al. Incidence of running-related injuries per 1000 hours of running. Sports Medicine, 2015.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour. Geneva: World Health Organization, 2020. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240015128 Acesso em: 10 mar. 2026.
XCZEPANIAK, A. A.; FOSCHIERA, D. B. Motivational factors in recreational running. Journal of Physical Education Research, 2024.
