MOBILIZAÇÃO PRECOCE DE PACIENTES CRÍTICOS NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: BENEFÍCIOS, ATITUDES E BARREIRAS ENCONTRADAS PELOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE

Resumo

O repouso prolongado em pacientes críticos pode desencadear diversas alterações deletérias, como atrofia muscular, hipotensão, danos aos músculos respiratórios, delirium e aumento do risco de infecções. Nesse cenário, a mobilização precoce (MP) surge como uma estratégia crucial de prevenção e reabilitação; contudo, sua baixa incidência levanta questionamentos sobre os obstáculos presentes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Este estudo objetivou identificar as principais barreiras que impedem a prática da MP, comparar os achados com a literatura e fornecer subsídios para iniciativas educacionais. Trata-se de um estudo de campo, com abordagem quantitativa, de caráter descritivo e exploratório. O cenário do estudo foi uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Geral Adulto de um hospital público municipal da cidade de São Paulo, que dispõe de 20 leitos destinados a pacientes críticos de perfil clínico e cirúrgico. Aplicou-se um questionário online com 16 questões sobre aspectos sociodemográficos e fatores específicos da mobilização. As principais barreiras identificadas incluíram instabilidade hemodinâmica, desconforto respiratório, delirium, sedação profunda e a ausência de um protocolo institucional. Conclui-se que, apesar do conhecimento prévio dos profissionais, a baixa adesão à MP está associada a fatores multifatoriais, com destaque para os aspectos clínicos. A elaboração de programas e protocolos específicos demonstra ser a estratégia mais eficaz para superar esses desafios no ambiente intensivo.

Biografia do Autor

Nathalia Ferreira dos Anjos, Núcleo Batuíra

Fisioterapeuta; Especialista em Atenção à Terapia Intensiva pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS- SP).

Valnice Oliveira Nogueira

Enfermeira; Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Coordenadora titular da Comissão de Residência Multiprofissional em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (COREMU SMS/SP).

Joel Malaquias Junior

Fisioterapeuta; Mestre em Ciências da Saúde pelo Instituto de Assistência Médica Ao Servidor Público Estadual (IAMSPE).

Referências

AQUIM, E. E. et al. Brazilian guidelines for early mobilization in intensive care unit. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 31, n. 4, p. 434-443, 2019.

AZEVEDO, P. M. D. S.; GOMES, B. P. Efeitos da mobilização precoce na reabilitação funcional em doentes críticos: uma revisão sistemática. Revista de Enfermagem Referência, Coimbra, v. 4, n. 5, p. 129-138, 2015.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução - RDC nº 7, de 24 de fevereiro de 2010. Dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e dá outras providências. Brasília, DF: ANVISA, 2010.

BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 743, de 12 de março de 2024. Revoga a Resolução Cofen nº 543, de 18 de abril de 2017, que atualiza e estabelece parâmetros para o Dimensionamento. Brasília, DF: COFEN, 2024.

BRASIL. Conselho Federal e Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Resolução nº 402, de 3 de agosto de 2011. Disciplina a especialidade profissional Fisioterapia em Terapia Intensiva e dá outras providências. Brasília, DF: COFFITO, 2011.

BRASIL. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.271, de 23 de abril de 2020. Define as unidades de terapia intensiva e unidades de cuidado intermediário conforme sua complexidade e nível de cuidado [...]. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 23 abr. 2020. Seção 1, p. 90.

BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2012.

BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2016.

BRASIL. Decreto-Lei nº 938, de 13 de outubro de 1969. Provê sobre as profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 14 out. 1969. Seção 1, p. 8658.

BRUMMEL, N. E.; GIRARD, T. D. Preventing delirium in the intensive care unit. Critical Care Clinics, v. 29, n. 1, p. 51-65, jan. 2013.

CAROLINA, A.; FERREIRA, L. L. Mobilização precoce em unidade de terapia intensiva adulto: revisão de literatura e proposta de implantação de protocolo assistencial. Salusvita, Bauru, v. 41, n. 1, p. 124-139, 2023.

CLARK, D. E. et al. Effectiveness of an Early Mobilization Protocol in a Trauma and Burns Intensive Care Unit: A Retrospective Cohort Study. Physical Therapy, Oxford, v. 93, n. 2, p. 186-196, fev. 2013.

DUBB, R. et al. Barriers and strategies for early mobilization of patients in intensive care units. Annals of the American Thoracic Society, [s. l.], v. 13, n. 5, p. 724-730, may 2016.

GUEDES, L. P. C. M.; OLIVEIRA, M. L. C. de; CARVALHO, G. de A. Deleterious effects of prolonged bed rest on the body systems of the elderly: a review. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 21, n. 4, p. 499-506, jul./ago. 2018.

HODGSON, Carol et al. Expert consensus and recommendations on safety criteria for active mobilization of mechanically ventilated critically ill adults. Critical Care, [s. l.], v. 18, n. 658, p. 1-10, dec. 2014.

JOLLEY, S. E. et al. Medical intensive care unit clinician attitudes and perceived barriers towards early mobilization of critically ill patients: a cross-sectional survey study. BMC Anesthesiology, [s. l.], v. 14, n. 1, p. 1-10, oct. 2014.

KOUKOURIKOS, K.; TSALOGLIDOU, A.; KOURKOUTA, L. Muscle atrophy in intensive care unit patients. Acta Informatica Medica, [s. l.], v. 22, n. 6, p. 406-410, 2014.

LIMA, L. V. R. de et al. Mobilização precoce na unidade de terapia intensiva adulto. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 5, n. 3, p. 10854-10863, maio/jun. 2022.

LUNA, E. E. W.; PERME, C.; GASTALDI, A. C. Relationship between potential barriers to early mobilization in adult patients during intensive care stay using the Perme ICU Mobility Score. Canadian Journal of Respiratory Therapy, [s. l.], v. 57, p. 148-153, nov. 2021.

MORAIS, A. M. et al. Exercício como mobilização precoce em pacientes com uso de drogas vasoativas. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício, [s. l.], v. 19, n. 4, p. 301-310, ago. 2020.

PACHECO, T. R.; MONTE, F. V. do. Os efeitos da mobilização precoce em unidades de terapia intensiva. Revista da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada, [s. l.], v. 20, n. 1, p. 109-122, jan./jun. 2019.

SOARES, A.; VIEIRA, C. C. Os riscos do remanejamento da equipe de enfermagem para sanar ausência diária na escala da unidade de terapia intensiva (UTI). Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, [s. l.], v. 5, n. 5, p. 1701-1717, 2023.

TAVARES, L. da S.; ORTIZ, J. V. Desenvolvimento da trombose em pacientes com e sem infecção pelo SARS-CoV-2: revisão de literatura. Research, Society and Development, [s. l.], v. 10, n. 15, p. e410101522959, 2021.

Como Citar

Ferreira dos Anjos, N., Oliveira Nogueira , V. ., & Malaquias Junior, J. (2026). MOBILIZAÇÃO PRECOCE DE PACIENTES CRÍTICOS NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: BENEFÍCIOS, ATITUDES E BARREIRAS ENCONTRADAS PELOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 7(4), e747749. https://doi.org/10.47820/recima21.v7i4.7749