INTERVALOS CEGOS: AMBIGUIDADE SEMÂNTICA NA REGRA “ESTÁ ENTRE” DO MICROSOFT EXCEL E IMPLICAÇÕES NA TOMADA DE DECISÕES
Resumo
Planilhas eletrônicas desempenham papel central na organização e classificação de dados em contextos educacionais, industriais e científicos. Nesse cenário, o Microsoft Excel não apenas processa informações, mas também media a compreensão de relações matemáticas na análise cotidiana. Este estudo examina, sob perspectiva epistemológica, o comportamento da regra “Está entre” no recurso de formatação condicional. Evidências empíricas demonstram que a ferramenta inclui automaticamente os valores extremos do intervalo definido, classificando-os como pertencentes ao conjunto. Adota-se, neste trabalho, uma interpretação semântica estrita da expressão “entre”, segundo a qual a relação intervalar pressupõe a exclusão dos limites, em consonância com sua estrutura relacional e com a noção de intervalos numéricos abertos na matemática formal. Nesse enquadramento, a inclusão automática dos extremos caracteriza uma dissociação entre linguagem e operação. A análise da interface indica que esse comportamento ocorre sem explicitação conceitual ou orientação ao usuário, delegando ao sistema a definição operacional do critério intervalar. Essa condição introduz ambiguidade semântica em processos de classificação automática de dados, especialmente quando os limites assumem relevância decisória. Os resultados evidenciam tensões entre linguagem natural, formalismo matemático e implementação computacional, contribuindo para a compreensão crítica do papel do design de sistemas digitais na mediação de análises e decisões, bem como para a Educação Matemática, especialmente no ensino de intervalos numéricos e pertencimento em contextos mediados por tecnologia.
Biografia do Autor
Escritor e professor universitário em temas relacionados às ciências exatas e às tecnologias educacionais. Mestre em Ciências Naturais e Matemática pela Universidade Regional de Blumenau – FURB (2012). Especialista em Metodologia do Ensino de Matemática – IBPEX (2006). Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE (2000). Possui formação pedagógica de docentes pelo Centro Universitário de Jaraguá do Sul – UNERJ (2006). É professor no ensino profissional e tecnológico, nas modalidades de ensino técnico de nível médio, ensino superior tecnológico de graduação e pós-graduação. Possui mais de 20 anos de experiência em processos contábeis, administrativos e produtivos na região do Vale do Itapocu – SC.
Referências
ARTIGUE, Michèle. Learning mathematics in a CAS environment: the genesis of a reflection about instrumentation and the dialectics between technical and conceptual work. International Journal of Computers for Mathematical Learning, Dordrecht, v. 7, n. 3, p. 245–274, 2002. DOI: https://doi.org/10.1023/A:1022103903080
DAVENPORT, Thomas H.; HARRIS, Jeanne G. Competing on analytics: the new science of winning. Boston: Harvard Business School Press, 2007.
GONÇALVES, Rafael Alberto. Introdução à matemática financeira por meio de planilhas eletrônicas: Calc & Excel no ensino médio. Saarbrücken: Novas Edições Acadêmicas, 2014.
GONÇALVES, Rafael Alberto. Microsoft Excel and conceptual silencing: challenges for statistical literacy in the digital age. Impacto Científico Editora, 2025 DOI: https://doi.org/10.56238/edimpacto2025.034-007 DOI: https://doi.org/10.56238/edimpacto2025.034-007
GONÇALVES, Rafael Alberto; HORNBURG, Anderson Michel. Mathematical error in the Microsoft Excel program “MODE” function, its implications and possible corrections. Revista Aracê, São José dos Pinhais, v. 7, n. 1, p. 2248–2257, 2025 DOI: https://doi.org/10.56238/arev7n1-135 DOI: https://doi.org/10.56238/arev7n1-135
GONÇALVES, Rafael Alberto; MARTIM, Robert F. Série ao extremo: programando o Excel com VBA – do básico até banco de dados e APIs do Windows. 1. ed. Juatuba, MG: Instituto Alpha Educação a Distância e Editora, 2018.
HOWARD, Ronald A. Decision analysis: applied decision theory. In: PROCEEDINGS OF THE FOURTH INTERNATIONAL CONFERENCE ON OPERATIONAL RESEARCH. Cambridge: Cambridge University Press, 1966. p. 55–71.
LAKOFF, George. Women, fire, and dangerous things: what categories reveal about the mind. Chicago: University of Chicago Press, 1987. DOI: https://doi.org/10.7208/chicago/9780226471013.001.0001
NORMAN, Donald A. The design of everyday things. rev. ed. New York: Basic Books, 2013.
SELWYN, Neil. Education and technology: key issues and debates. 2. ed. London: Bloomsbury Academic, 2016. DOI: https://doi.org/10.5040/9781474235952
SHNEIDERMAN, Ben; PLAISANT, Catherine; COHEN, Maxine; JACOBS, Steven; ELQVIST, Niklas; DIAKOPOULOS, Nicholas. Designing the user interface: strategies for effective human-computer interaction. 6. ed. Boston: Pearson, 2016.
SIMON, Herbert A. The sciences of the artificial. 3. ed. Cambridge: MIT Press, 1996.
STEWART, James. Calculus: early transcendentals. 7. ed. Boston: Cengage Learning, 2013.
TUFTE, Edward R. The visual display of quantitative information. 2. ed. Cheshire: Graphics Press, 2001.
