PERFORMATIVIDADE DOCENTE NAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS: UMA ANÁLISE DO PROGRAMA EDUCAR PRA VALER
Resumo
O presente artigo analisa como os diferentes vínculos de trabalho docente influenciam a performatividade e a constituição da subjetividade profissional no contexto das escolas públicas, com foco no município de Vitória da Conquista (BA). Fundamentado nas contribuições de Stephen J. Ball, Jean-François Lyotard, Hannah Arendt e Michel Foucault, o estudo discute os efeitos das políticas educacionais neoliberais, especialmente no que se refere à precarização do trabalho docente e à centralidade das avaliações externas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com análise documental e entrevistas com professores da rede municipal. Os resultados evidenciam que a coexistência de vínculos estatutários e temporários produz desigualdades estruturais, impactando práticas pedagógicas, autonomia docente e relações profissionais. Além disso, a presença do programa Educar Pra Valer reforça uma cultura de performatividade orientada por metas e resultados, tensionando a prática docente entre conformidade e resistência. Conclui-se que a lógica performativa contribui para a intensificação do trabalho e para a redução da autonomia docente, sendo necessário repensar as políticas educacionais à luz de uma perspectiva mais democrática e contextualizada.
Referências
ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.
BALL, Stephen J. Reformar escolas/reformar professores e os terrores da performatividade. 2002.
BALL, Stephen J. et al. Políticas educacionais e subjetividade docente. 2013.
FOUCAULT, Michel. Ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. 2021.
BRASIL. Constituição Federal de 1988.
FREITAS, Luiz Carlos de. 2012.
