FATORES ASSOCIADOS ÀS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS POTENCIAIS EM IDOSOS INTERNADOS EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA COVID-19

Resumo

Avaliar os fatores associados às interações medicamentosas potenciais entre os fármacos usados no tratamento de idosos internados em unidades de terapia intensiva COVID-19. Estudo transversal, descritivo-analítico, conduzido em um hospital público do interior da Bahia, referência regional, durante a pandemia, em cuidados intensivos para COVID-19.  Foram incluídos pacientes com 60 anos ou mais, diagnosticados com COVID-19 e internados em unidades de terapia intensiva dos anos de 2020 e 2021, que usaram Azitromicina, Hidroxicloroquina e/ou Ivermectina. Foram coletados dados de 516 pacientes com COVID-19, mas 221 estavam aptos a participar deste estudo. Os medicamentos estudados foram classificados conforme a classificação Anatomical Therapeutic Chemical da Organização Mundial da Saúde. Utilizou-se o programa Micromedex® para identificar e classificar as interações medicamentosas e o Statistical Package for the Social Sciences®, versão 21.0, para análise estatística. Dos pacientes, 52,3% eram do sexo masculino, com idade média de 75,34 anos (DP= ±8,16), predominando os de 70-79 anos (38,0%), pardos (93,1%), tabagistas (27,1%) e hipertensos (76,9%). Entre os indivíduos, 71,5% apresentaram interações medicamentosas potenciais, sendo 99,5% graves e 99,5% com documentação provável. Os fármacos mais envolvidos atuavam no sistema nervoso (22,1%), trato alimentar e metabolismo (20,9%), e sistema cardiovascular (15,4%). Verificou-se uma alta prevalência de interações medicamentosas potenciais, associadas a pacientes tabagistas e ao acompanhamento farmacêutico, destacando a necessidade de um acompanhamento multiprofissional, especialmente farmacêuticos clínicos.

Biografia do Autor

Murilo Narde Fontana, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduação em Farmácia. Departamento de Ciências e Tecnologias. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Laiz Freire Lima, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduação em Farmácia. Programa de Pós-Graduação Enfermagem e Saúde. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Juliana Silva Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduação em Farmácia. Departamento de Ciências e Tecnologias. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Lorenna Oliveira Araujo, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduação em Farmácia. Departamento de Ciências e Tecnologias. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Aieska Geovana Gomes Rocha, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Graduação em Farmácia. Departamento de Ciências e Tecnologia. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Gisele da Silveira Lemos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutora em Medicamentos e Assistência Farmacêutica. Departamento de Ciências e Tecnologias. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Cleber Souza de Jesus, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutor em Saúde Coletiva. Departamento de Saúde II. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Lucas Brasileiro Lemos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Mestre em Ciências da Saúde. Departamento de Saúde II. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Inocêncio Silva de Jesus, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Mestre em Ciências da Saúde. Departamento de Ciências e Tecnologias. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié, BA, Brasil.

Nara Jacqueline Souza dos Santos, Ministério da Saúde

Mestre em Epidemiologia. Departamento de Assistência Farmacêutica. Ministério da Saúde. Brasília, DF, Brasil.

Referências

1. Cavalcante JR, Cardoso-dos-Santos AC, Bremm JM, et al. COVID-19 no Brasil: evolução da epidemia até a semana epidemiológica 20 de 2020. Epidemiol Serv Saude. 2020;29(4):e2020376 DOI: https://doi.org/10.5123/S1679-49742020000400010

2. Minussi BB, Paludo EA, Passos JPB, et al. Grupos de risco do COVID-19: a possível relação entre o acometimento de adultos jovens “saudáveis” e a imunidade. Brazilian J. Health Rev. 2020;3(2):3739–62 DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n2-200

3. Shahid Z, Kalayanamitra R, McClafferty B, et al. COVID ‐19 and Older Adults: What We Know. J Am Geriatr Soc. 2020;68(5):926-929. DOI: https://doi.org/10.1111/jgs.16472

4. Cortes ALB, Silvino ZR, Santos FBM, et al. Prevalência de interações medicamentosas envolvendo medicamentos de alta vigilância: estudo transversal. REME Rev min Enferm. 2019;e–1226. DOI: https://doi.org/10.5935/1415-2762.20190074

5. Veloso RCSG, Figueredo TP, Barroso SCC, et al. Fatores associados às interações medicamentosas em idosos internados em hospital de alta complexidade. Cienc Saude Colet. 2019;24(1):17–26. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232018241.32602016

6. Silva UDA, Soeiro CLDS, Resque RL, et al. Interações medicamentosas e consequentes intervenções farmacêuticas na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital privado em Macapá, Amapá. Vigil sanit debate. 2018;6(2):29–37. DOI: https://doi.org/10.22239/2317-269X.00922

7. Dutra APR, Lemos LMA, Damascena RS. Avaliação do Perfil das Interações Medicamentosas e os Fatores Associados em Prescrições Médicas de Pacientes Internados em Unidade de Terapia Intensiva. ID on Line Rer. Mult. Psic. 2019;13(43):543–58. DOI: https://doi.org/10.14295/idonline.v13i43.1554

8. Mahboobipour A, Baniasadi S. Clinically important drug–drug interactions in patients admitted to hospital with COVID-19: drug pairs, risk factors, and management. Drug Metabolism and Personalized Therapy. 2021;36(1):9-16. DOI: https://doi.org/10.1515/dmpt-2020-0145

9. Rahmadani ID, Irawati S, Wibowo YI, et al. Potential drug-drug interactions and their associated factors in hospitalized COVID-19 patients with comorbidities. PeerJ. 2023;11:e15072 DOI: https://doi.org/10.7717/peerj.15072

10. Costa IR, Pinto RMS, Cristo PS, et al. A importância do farmacêutico na CCIH. Braz. Appl. Sci. Rev. 2020;4(6):3720–9. DOI: https://doi.org/10.34115/basrv4n6-034

11. Sousa APR, Melo TS, Vasconcelos FF, et al. Impacto das interações medicamentosas em ambiente hospitalar e papel do farmacêutico clínico nesse cenário: revisão sistemática de literatura. Saúde (Sta Maria). 2023;49(2):e64854. DOI: https://doi.org/10.5902/2236583464854

12. Santos-Pinto CDB, Miranda ES, Osorio-de-Castro CGS. O “kit-covid” e o Programa Farmácia Popular do Brasil. Cad Saúde Pública. 2021;37(2):e00348020. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00348020

13. Malta M, Cardoso LO, Bastos FI, et al. Iniciativa STROBE: subsídios para a comunicação de estudos observacionais. Rev Saúde Pública. 2010;44(3):559-65. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-89102010000300021

14. MICROMEDEX® 2.0 (Healthcare Series). Truven Health Analytics, Greenwood Village, Colorado, USA.

15. Jin JM, Bai P, He W, et al. Gender Differences in Patients With COVID-19: Focus on Severity and Mortality. Front Public Health. 2020;8(152):545030. DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2020.00152

16. Mueller AL, McNamara MS, Sinclair DA. Why does COVID-19 disproportionately affect older people? Aging (Albany NY). 2020;12(10):9959–81. DOI: https://doi.org/10.18632/aging.103344

17. Oliveira PC de, Silveira MR, Ceccato M das GB, et al. Prevalência e Fatores Associados à Polifarmácia em Idosos Atendidos na Atenção Primária à Saúde em Belo Horizonte-MG, Brasil. Ciênc saúde coletiva. 2021;26(4):1553–64. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232021264.08472019

18. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Panorama do Censo 2022. Avaliable in: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama Accessed on: 31st May 2024.

19. Cardoso FS, Gomes DCK, Silva AS. Racial inequality in health care of adults hospitalized with COVID-19. Cad Saude Publica. 2023;39(10):e00215222. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311XEN215222

20. Vardavas C, Nikitara K. COVID-19 and smoking: A systematic review of the evidence. Tob Induc Dis. 2020;18:20. DOI: https://doi.org/10.18332/tid/119324

21. Silva ALO, Moreira JC, Martins SR. COVID-19 e tabagismo: uma relação de risco. Cad Saúde Pública. 2020;36(5):e00072020. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00072020

22. Brake SJ, Barnsley K, Lu W, et al. Smoking Upregulates Angiotensin-Converting Enzyme-2 Receptor: A Potential Adhesion Site for Novel Coronavirus SARS-CoV-2 (Covid-19). J. Clin. Med. 2020;9(3):841. DOI: https://doi.org/10.3390/jcm9030841

23. Hernández-Pérez A, García-Gómez L, Rodríguez-Llamazares S, et al. Associated risks of smoking and possible benefits of cessation in Covid-19: a rapid narrative review. Salud Pública de México. 2021;63(2):262–7. DOI: https://doi.org/10.21149/9371

24. Guan W, Liang W, Zhao Y, et al. Comorbidity and its impact on 1590 patients with Covid-19 in China: A Nationwide Analysis. Eur Clin Respir J. 2020;55(5):2000547. DOI: https://doi.org/10.1183/13993003.00547-2020

25. Zhou F, Yu T, Du R, et al. Clinical course and risk factors for mortality of adult inpatients with COVID-19 in Wuhan, China: a retrospective cohort study. The Lancet. 2020;395(10229):1054–62. DOI: https://doi.org/10.1016/ S0140-6736(20)30566-3.

26. Ribeiro AC, Uehara, SCSA. Hipertensão arterial sistêmica como fator de risco para a forma grave da covid-19: revisão de escopo. Rev Saúde Pública. 2022;56:20. DOI: https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2022056004311

27. Scrignoli CP, Teixeira VCMC, Leal DCP. Interações medicamentosas entre fármacos mais prescritos em unidade de terapia intensiva adulta. J Hosp Pharm Health Serv. 2016;7(2):26-30.

28. Petrini E, Caviglia GP, Pellicano R, et al. Risk of drug interactions and prescription appropriateness in elderly patients. Ir J Med Sci (1971-). 2019;189:953–9. DOI: https://doi.org/10.1007/s11845-019-02148-8

29. Monteiro AG, Rodrigues VF. UTI COVID-19: Perfil dos pacientes internados e possíveis interações medicamentosas descritas para os medicamentos mais prescritos. Rev. Cient. Fac. Med. Campos, 2023;18(1):17–31. DOI: https://doi.org/10.29184/1980-7813.rcfmc.803.vol.18.n1.2023

30. Martins JM, Figueiredo TP, Costa SC, et al. Medicamentos que podem induzir prolongamento do intervalo QT utilizados por idosos em domicílio. Rev Ciênc Farm Básica Apl. 2015;36(2):297-305.

31. Melo JRR, Duarte EC, Moraes MV, et al. Reações adversas a medicamentos em pacientes com COVID-19 no Brasil: análise das notificações espontâneas do sistema de farmacovigilância brasileiro. Cad Saude Publica. 2021;37(1):e00245820. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00245820

32. Juba KM, Khadem TM, Hutchinson DJ, et al. Methadone and Corrected QT Prolongation in Pain and Palliative Care Patients: A Case-Control Study. J Palliat Med. 2017;20(7):722-728. DOI: https://doi.org/10.1089/jpm.2016.0411

33. Barbosa KTF, Lima JBLNS, Nunes FP, et al. Interações medicamentosas em prescrições médicas em pacientes acometidos pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave. Enferm. Foco. 2021;12(6):1235-41. DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2021.v12.n6.4914

34. Plasencia-García BO, Rodríguez-Menéndez G, Rico-Rangel MI, et al. Drug-drug interactions between COVID-19 treatments and antipsychotics drugs: integrated evidence from 4 databases and a systematic review. Psychopharmacology. 2021;238:329-340. DOI: https://doi.org/10.1007/s00213-020-05716-4

35. Furtado RHM, Berwanger O, Fonseca HA, et al. Azithromycin in addition to standard of care versus standard of care alone in the treatment of patients admitted to the hospital with severe COVID-19 in Brazil (COALITION II): a randomised clinical trial. The Lancet. 2020;396(10256):959–67. DOI: https://doi.org/10.1016/

36. McQueenie R, Foster HME, Jani BD, et al. Multimorbidity, polypharmacy, and COVID-19 infection within the UK Biobank cohort. PloS one. 2020;15(8):e0238091. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0251613

37. Maher RL, Hanlon J, Hajjar ER. Clinical consequences of polypharmacy in elderly. Expert Opinion on Drug Safety. 2013;13(1):57–65. DOI: https://doi.org/10.1517/14740338.2013.827660

38. Ahmed A, Saqlain M, Tanveer M, et al. The impact of clinical pharmacist services on patient health outcomes in Pakistan: a systematic review. BMC Health Serv Res. 2021;21:1-14. DOI: https://doi.org/10.1186/s12913-021-06897-0

39. Shafiekhani M, Moosavi N, Firouzabadi D, et al. Impact of Clinical Pharmacist’s Interventions on Potential Drug–Drug Interactions in the Cardiac Care Units of Two University Hospitals in Shiraz, South of Iran. J Res Pharm Pract. 2019;8(3):143–8 DOI: https://doi.org/10.4103/jrpp.JRPP_18_88

40. Miranda CC, Oliveira CCP, Brabo NCF, et al. O papel do farmacêutico na pandemia de Covid-19: uma revisão integrativa de literatura. Braz. J. Hea. Rev. 2023;6(6):33459–78. DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv6n6-532

41. Perlík F. Impact of smoking on metabolic changes and effectiveness of drugs used for lung cancer. Cent Eur J Public Health. 2020;28(1):53–8 DOI: https://doi.org/10.21101/cejph.a5620

Como Citar

Narde Fontana, M., Freire Lima, L., Silva Santos, J., Oliveira Araujo, L., Gomes Rocha, A. G., da Silveira Lemos, G., Souza de Jesus, C., Brasileiro Lemos, L., Silva de Jesus, I., & Souza dos Santos, N. J. (2026). FATORES ASSOCIADOS ÀS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS POTENCIAIS EM IDOSOS INTERNADOS EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA COVID-19. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 7(4), e747723. https://doi.org/10.47820/recima21.v7i4.7723