TRANSMISSÃO ORAL DA DOENÇA DE CHAGAS ASSOCIADA AO AÇAÍ: PANORAMA EPIDEMIOLÓGICO E DESAFIOS DE CONTROLE NA AMAZÔNIA PARAENSE
Resumo
A doença de Chagas, tradicionalmente de transmissão vetorial, sofreu transformação epidemiológica, com a via oral emergindo como principal via de infecção aguda, especialmente na Amazônia Paraense, associada ao consumo de açaí. Este artigo objetivou analisar criticamente os desafios para o controle efetivo dessa transmissão no estado do Pará. Realizou-se uma revisão sistemática (seguindo o protocolo PRISMA) da literatura científica e documentos oficiais. Os resultados evidenciaram quatro eixos interligados de obstáculos: 1) a discrepância entre normatização e práticas artesanais inseguras na cadeia produtiva; 2) a natureza reativa e limitada da vigilância em saúde; 3) a eficácia, porém falta de institucionalização, de ações educativas; e 4) a intrínseca vinculação da transmissão a determinantes socioeconômicos. Conclui-se que a superação deste cenário complexo exige uma governança inovadora, que integre vigilância focalizada, educação permanente e ações intersetoriais, articulando controle sanitário ao desenvolvimento socioeconômico para transformar o desafio epidemiológico em oportunidade de saúde pública equitativa.
Biografia do Autor
Graduando em Licenciatura em Química. Universidade do Estado do Pará (UEPA).
Graduanda em Licenciatura em Química. Universidade do Estado do Pará (UEPA).
Graduanda em Farmácia. Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI).
Doutorando em Ciências Ambientais. Universidade do Estado do Pará.
Doutora em Biologia Celular e Molecular. Professora da Universidade do Estado do Pará.
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