A TERRITORIALIZAÇÃO COMO EIXO ESTRUTURANTE DAS PRÁTICAS DA SAÚDE COLETIVA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

Resumo

A territorialização configura-se como elemento central na organização das práticas da Saúde Coletiva na Atenção Primária à Saúde, orientando o planejamento, a gestão e a produção do cuidado a partir das condições concretas de vida da população. O território, compreendido como espaço socialmente construído, permite identificar vulnerabilidades, potencialidades e desigualdades que influenciam diretamente os processos de saúde e adoecimento. Este estudo teve como objetivo analisar a territorialização como eixo estruturante das práticas da Saúde Coletiva na Atenção Primária à Saúde, considerando suas implicações organizacionais, assistenciais, educativas e políticas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico, desenvolvida por meio da análise interpretativa de produções científicas nacionais e internacionais. As buscas foram realizadas em bases de dados reconhecidas, com utilização de descritores em português e inglês, intercruzados por operadores booleanos, permitindo a seleção de estudos alinhados ao objetivo proposto. Os resultados indicam que a territorialização favorece a coordenação do cuidado, o fortalecimento do vínculo entre equipes e comunidade, a atuação multiprofissional integrada e o direcionamento de ações voltadas à equidade. Além disso, evidencia-se seu papel estratégico na formação em saúde e no enfrentamento das desigualdades socioespaciais. Conclui-se que a territorialização constitui fundamento indispensável para a consolidação da Atenção Primária à Saúde e para o fortalecimento das práticas da Saúde Coletiva, contribuindo para a organização de serviços mais integrados, resolutivos e socialmente comprometidos.

 

Biografia do Autor

Ana Paula Mendes Batista da Silva, FUNESO- Fundação de ensino superior de Olinda

Graduada em Enfermagem pela FUNESO- Fundação de ensino superior de Olinda

Gabriel Satoru Ohashi , Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Mestrando em Anestesiologia Veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Maryane Francisca Araújo de Freitas Cavalcanti, IFPI

Mestranda pela IFPI

Victor Hugo Moreira de Lima, Universidade Federal de Pernambuco

Mestre em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pernambuco

Reynold Sales Caleffi , Centro Universitário Fametro (UNIFAMETRO)

Graduando em Medicina pelo Centro Universitário Fametro (UNIFAMETRO)

Luciana Barreto Araújo , Universidade Estadual do Ceará

Mestrado pela Universidade Estadual do Ceará

Felipe Silva Ribeiro, Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Mestre em Saúde do Adulto pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Valéria Batista de Sousa , Centro Universitário Uninta-Inta

Fonoaudióloga pelo Centro Universitário Uninta-Inta

Soraia Arruda , Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Graduada em Enfermagem, Gestão em Saúde e Mestrado em Gastroenterologia e Hepatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Herica Francine Pinto Meneses , Universidade Estadual de Montes Claros

Graduada em Medicina e Residência em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Estadual de Montes Claros

Referências

1. AYRES, José Ricardo de Carvalho Mesquita et al. Risco, vulnerabilidade e práticas de prevenção e promoção da saúde. In: CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa et al. (org.). Tratado de saúde coletiva. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2009. p. 375–417.

2. CLET, Élodie et al. Integrating prevention into primary care organizations: a case study in France. BMC Primary Care, Londres, v. 26, n. 1, p. 1–11, 2025 DOI: https://doi.org/10.1186/s12875-025-02314-6

3. CRUZ NETO, João et al. Nursing diagnoses related to cardiovascular function in primary care: a scoping review. International Journal of Nursing Studies, Oxford, v. 148, 104690, 2024 DOI: https://doi.org/10.1016/j.ijnurstu.2023.104690

4. D’AGOSTINO, Fabio et al. A review of nursing diagnoses prevalence in different populations and healthcare settings. International Journal of Nursing Studies, Oxford, v. 148, 104687, 2024 DOI: https://doi.org/10.1016/j.ijnurstu.2023.104687

5. GAUTIER, Sylvain et al. How primary healthcare sector is organized at the territorial level in France? A typology of territorial structuring. International Journal of Health Planning and Management, Hoboken, v. 39, n. 1, p. 112–126, 2024 DOI: https://doi.org/10.1002/hpm.3704

6. GONÇALVES, N. V. et al. The territorialization of severe acute respiratory syndrome and its socioeconomic, demographic and public health policy risk factors in Belém, state of Pará, Eastern Amazon, Brazil: a cross-sectional and ecological study. PLOS ONE, San Francisco, v. 20, n. 1, e0298743, 2025 DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0298743

7. KHAN, Zoheb et al. Community participation and contracting between state and non-state actors in primary care: a scoping review of evidence. International Journal for Equity in Health, Londres, v. 24, n. 1, p. 1–17, 2025 DOI: https://doi.org/10.1186/s12939-025-02134-8

8. MERHY, Emerson Elias. Saúde: a cartografia do trabalho vivo. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 2002.

9. MILANI, C. et al. How to promote changes in primary care? The Florentine experience of the House of Community. Frontiers in Public Health, Lausanne, v. 11, 1198342, 2023 DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2023.1198342

10. MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.

11. MONTEIRO, Vinícius Costa Maia et al. Digital health technologies in primary health care in rural territories: a protocol for scoping review. PLOS ONE, San Francisco, v. 20, n. 2, e0301124, 2025 DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0301124

12. PAIM, Jairnilson Silva. O que é o SUS. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008.

13. SANTOS, Lucas Cardoso dos et al. Liderança e comportamento empoderador: compreensões de enfermeiros-gerentes na Atenção Primária à Saúde. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 36, eAPE02121, 2023 DOI: https://doi.org/10.37689/acta-ape/2023AO02121

14. SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

15. SILVA, D. A. et al. “Academia da Saúde” program: mapping evidence from the largest health promotion community program in Brazil. Frontiers in Public Health, Lausanne, v. 11, 1189031, 2023 DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2023.1189031

16. SOUZA, Celina. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Sociologias, Porto Alegre, v. 20, n. 48, p. 20–45, 2018 DOI: https://doi.org/10.1590/15174522-020004802

17. STARFIELD, Barbara. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO; Ministério da Saúde, 2002.

18. TAKAHARA, A. B.; RODRIGUES, G. G.; MIRANDA, C. M.; ROZIN, L. R.; FORTE, L. T.; BERNARDO DE LIMA, M. L.; PAIVA NETO, F. T. Teaching-Community integration as an educational strategy in Brazilian primary health care. European Journal of Public Health, Oxford, v. 35, Suppl. 4, p. ckaf161.918, 27 out. 2025 DOI: https://doi.org/10.1093/eurpub/ckaf161.918

19. THOMAS, R. et al. Redefining territorial health and social care: the proactive multidisciplinary clinic for frailty. European Journal of Public Health, Oxford, v. 35, n. 1, p. 45–51, 2025 DOI: https://doi.org/10.1093/eurpub/ckae251

20. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global strategy on digital health 2020–2025. Geneva: WHO, 2021. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240020924 Acesso em: 27 fev. 2026.

Como Citar

Mendes Batista da Silva, A. P., Satoru Ohashi , G., Araújo de Freitas Cavalcanti, M. F. ., Moreira de Lima, V. H. ., Sales Caleffi , R. ., Barreto Araújo , L. ., Silva Ribeiro, F., Batista de Sousa , V., Arruda , S. ., & Francine Pinto Meneses , H. (2026). A TERRITORIALIZAÇÃO COMO EIXO ESTRUTURANTE DAS PRÁTICAS DA SAÚDE COLETIVA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 7(3), e737330. https://doi.org/10.47820/recima21.v7i3.7330