ESTEREOTIPIAS NO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA SOB A PERSPECTIVA CLÍNICA DA TERAPIA OCUPACIONAL
Resumo
As estereotipias motoras e de linguagem são uma das características do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e atualmente é um dos critérios diagnósticos para a condição. O objetivo deste estudo foi identificar a percepção de cuidadores acerca da ocorrência e intensidade de estereotipias de crianças com TEA. A justificativa para essa pesquisa é contribuir para a discussão do tema, assim como apresentar as contribuições da Terapia Ocupacional. O presente estudo trata-se de uma pesquisa transversal de abordagem quantitativa por meio de um questionário semi estruturado disponibilizado na modalidade online para pais e cuidadores de crianças com TEA com idade entre 5 a 8 anos, avaliando a intensidade e ocorrências de estereotipias nas atividades básicas e instrumentais de vida diária. Para a interpretação dos dados foi utilizada a técnica de análise estatística descritiva. A coleta dos dados ocorreu entre setembro e dezembro de 2024, respeitando todos os aspectos éticos com aprovação do CONEP nº7.078.955. A estereotipia motora foi a manifestação mais frequente, correspondendo a 47,4% dos resultados.Verificou-se com base nos resultados que as estereotipias constituem-se como um fenômeno habitual ao cotidiano de crianças com TEA, sendo a estereotipia motora a manifestação mais frequente. Os achados dessa pesquisa corroboram com estudos anteriores que associam o aumento da frequência de estereotipias a atividades que aumentam a excitação. Conclui-se que as estereotipias constituem um fenômeno habitual em crianças com TEA apresentando maior frequência em atividades que geram excitação.
Biografia do Autor
Terapeuta Ocupacional, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Rio de Janeiro, Brasil e Pós-graduanda em Neurociência, Comportamento e Psicopatologia, Pontifícia Universidade Católica (PUCPR).
Terapeuta Ocupacional, especialista em Neuropsicologia, mestre em neurologia (UNIRIO), doutor em Psicossociologia e Ecologia Social (UFRJ) e Docente efetivo do IFRJ, campus Realengo.
Referências
American Psychiatric Association. (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Artmed.
American Psychiatric Association. (2023). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR (5ª ed., texto revisado). Artmed. (Publicação original em inglês, 2022).
Associação Americana de Terapia Ocupacional. (2015). Estrutura da prática da terapia ocupacional: Domínio e processo (3ª ed.). Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, 26(esp.), 1–49. https://doi.org/10.11606/issn.2238-6149.v26iespp1-49
Cavalcanti, A., & Galvão, C. (2007). Terapia ocupacional: fundamentação e prática (1ª ed.). Guanabara Koogan.
Dawalt, L. S., Taylor, J. L., Bishop, S., Hall, L. J., Steinbrenner, J. D., Kraemer, B., Hume, K. A., & Odom, S. L. (2020). Sex differences in social participation of high school students with autism spectrum. Autism Research. https://doi.org/10.1002/aur.2348 DOI: https://doi.org/10.1002/aur.2348
Dawson, G., & Rogers, J. S. (2010). Intervenção precoce em crianças com autismo: Modelo Denver para a promoção da linguagem e da socialização. Lidel.
Farmer, A. L., & Lewis, M. H. (2023). Reduction of restricted repetitive behavior by environmental enrichment: Potential neurobiological mechanisms. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 152, 1–12. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2023.104626 DOI: https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2023.105291
Fernandes, F. M. D., & Amato, C. A. de la H. (2013). Análise de comportamento aplicada e distúrbios do espectro do autismo: Revisão de literatura [Trabalho de conclusão de curso, Universidade de São Paulo]. Universidade de São Paulo. DOI: https://doi.org/10.1590/S2317-17822013000300016
Gutiérrez, A. G., et al. (2022). Executive functions in children and adolescents with autism spectrum disorder in family and school environment. International Journal of Environmental Research and Public Health, 19(13), 7834. https://doi.org/10.3390/ijerph19137834 DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph19137834
Grieve, J. (2009). Neuropsicologia em terapia ocupacional: Exame da percepção e cognição (2ª ed.). Santos.
Grieve, J., & Gnanasekaran, L. (2010). Neuropsicologia para terapeutas ocupacionais: Cognição no desempenho ocupacional (3ª ed.). Santos.
Hartley, S. L., & Sikora, D. M. (2009). Sex differences in autism spectrum disorder: An examination of developmental function, autistic symptoms, and coexisting behaviour problems in toddlers. Journal of Autism and Developmental Disorders. https://doi.org/10.1007/s10803-009-0810-8 DOI: https://doi.org/10.1007/s10803-009-0810-8
Hora, C. L. (2015). Conquistas e desafios da análise do comportamento aplicada no trabalho para pessoas com transtorno do espectro autista: Questões de eficácia e de formação de profissionais [Tese de doutorado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo]. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Katz, N. (2014). Neurociência, reabilitação cognitiva e modelos de intervenção em terapia ocupacional (3ª ed.). Santos.
Kirby, A. V., Boyd, B. A., Williams, K., Faldowski, R. A., & Baranek, G. T. (2017). Sensory and repetitive behaviors among children with autism spectrum disorder at home. Autism, 21(5), 518–529. https://doi.org/10.1177/1362361316632710 DOI: https://doi.org/10.1177/1362361316632710
Luria, A. R. (1992). A construção da mente. Ícone.
Miranda, E. O. P., & Chagas, L. M. P. F. (2024). Camuflagem social e diagnóstico tardio de autismo em mulheres: Uma revisão integrativa. Revista Neurociências.
Neistadt, M. E., & Crepeau, E. B. (2002). Terapia ocupacional de Willard e Schwartz (9ª ed.). Guanabara Koogan.
Oliveira, P. L., & Souza, A. P. de R. (2022). Terapia com base em integração sensorial em um caso de transtorno do espectro autista com seletividade alimentar. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional. https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctoRE21372824 DOI: https://doi.org/10.1590/2526-8910.ctore21372824
Organização Mundial da Saúde. (2018). Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde (CID-11) (11ª ed.). OMS.
Papalia, D. E., & Feldman, R. D. (2013). Desenvolvimento humano (12ª ed.). AMGH.
Pinto, A. de S., & Constantinidis, T. C. (2020). Revisão integrativa sobre a vivência de mães de crianças com transtorno de espectro autista. Revista Psicologia e Saúde, 12(2), 89–103. https://doi.org/10.20435/pssa.v0i0.799 DOI: https://doi.org/10.20435/pssa.v0i0.799
Rampazo, S. M. (2015). Estereotipias motoras em indivíduos com transtorno do espectro autista: Estudo de uma amostra [Dissertação de mestrado, Universidade Presbiteriana Mackenzie]. Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Rederd, B. F., Santos, R. P. L., & Hees, L. W. B. (2018). Autismo diante do raciocínio lógico matemático: Fatores determinantes e métodos de intervenção. Ensaios Pedagógicos, 2(1), 113–124. DOI: https://doi.org/10.14244/enp.v2i1.68
Serrano, P. (2016). A integração sensorial no desenvolvimento e aprendizagem da criança. Papa-Letras.
Silva, M., & Mulick, J. A. (2009). Diagnosticando o transtorno do espectro autista: Aspectos fundamentais e considerações práticas. Psicologia: Ciência e Profissão, 29(1), 32–43. https://doi.org/10.1590/S1414-98932009000100010 DOI: https://doi.org/10.1590/S1414-98932009000100010
Sousa, D. L. D., Silva, A. L., Ramos, C. M. O., & Melo, C. F. (2020). Análise do comportamento aplicada: A percepção de pais e profissionais acerca do tratamento em crianças com espectro autista. Contextos Clínicos, 13(1), 1–15. https://doi.org/10.4013/ctc.2020.131.06 DOI: https://doi.org/10.4013/ctc.2020.131.06
Sturmer, G., Corrêa, J., & Miranda, R. L. (2024). A saúde mental de familiares de pessoas com TEA: Uma análise bibliométrica (2001–2023). Revista Psicologia e Saúde, 16(1), 1–20. https://doi.org/10.20435/pssa.v16i1.2374 DOI: https://doi.org/10.20435/pssa.v16i1.2374
Tereshko, L., Ross, R. K., & Frazee, L. (2021). The effects of a procedure to decrease motor stereotypy on social interactions in a child with autism spectrum disorder. Behavior Analysis in Practice, 14(1), 1–10. https://doi.org/10.1007/s40617-020-00516-w DOI: https://doi.org/10.1007/s40617-020-00516-w
Toglia, J. P. (2014). Modelo interativo dinâmico da cognição na reabilitação cognitiva. In N. Katz, Neurociência, reabilitação cognitiva e modelos de intervenção em terapia ocupacional (3ª ed., pp. xx–xx). Santos.
