MARCADORES BIOQUÍMICOS NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO
Resumo
Marcadores bioquímicos cardíacos desempenham papel essencial na identificação da lesão , especialmente em situações nas quais os achados são inconclusivos. O presente estudo teve como objetivo analisar a relevância dos marcadores bioquímicos no diagnóstico precoce do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), destacando sua aplicabilidade clínica, cinética de liberação, evolução biotecnológica e impacto no prognóstico cardiovascular. Trata-se de uma Revisão Integrativa, conduzida nas bases de dados PubMed, SciELO e ScienceDirect. Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e diretrizes publicadas entre 2015 e 2025, selecionados por meio da estratégia PICo e do cruzamento de descritores padronizados utilizando operadores booleanos. A literatura científica consolida as troponinas cardíacas, especialmente os ensaios de alta sensibilidade (hs-cTn), como o padrão-ouro laboratorial. Estes ensaios permitem a detecção de injúria miocárdica microscópica em janelas de tempo exíguas, viabilizando algoritmos de triagem ultrarrápida. Biomarcadores históricos foram reposicionados: a creatina quinase fração MB (CK-MB) mantém utilidade estratégica para confirmar reinfartos precoces, enquanto a mioglobina teve seu emprego suprimido devido à inespecificidade. Os peptídeos natriuréticos despontam como ferramentas cruciais para a estratificação de risco e predição de disfunção ventricular. Adicionalmente, perspectivas futuras apontam para o uso promissor da inteligência artificial, validação de dispositivos Point-of-Care e exploração de marcadores emergentes, como a copeptina e microRNAs, demandando excelência analítica na atuação biomédica. Conclui-se que a interpretação integrada da dinâmica dos biomarcadores à clínica e ao eletrocardiograma é inegociável para a confirmação do IAM. O aprimoramento tecnológico laboratorial contínuo qualifica o raciocínio médico, agiliza a conduta terapêutica nas emergências e reduz significativamente a morbimortalidade.
Biografia do Autor
Graduanda em Biomedicina, Universidade Evangélica de Goiás – UniEVANGÉLICA, Brasil.
Graduanda em Biomedicina, Universidade Evangélica de Goiás.
Doutora em Ciências da Saúde, com Pós-doutorado em Ciências Biológicas. Docente na Medicina e Biomedicina.
Docente na Universidade Evangélica de Goiás – UniEVANGÉLICA, Brasil.
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