CONFORMISMO SILENCIOSO: UM CONCEITO SOBRE O ESVAZIAMENTO DA POLÍTICA
Resumo
Este artigo propõe e desenvolve o conceito de conformismo silencioso, entendido como uma forma contemporânea de retração subjetiva e coletiva diante da esfera pública. Trata-se de um fenômeno caracterizado por um desengajamento político que não se expressa como adesão explícita ao status quo, mas como passividade normalizada que esvazia a liberdade enquanto ação. A formulação do conceito resulta de uma articulação crítica das contribuições de Hannah Arendt, Herbert Marcuse, Adorno, Horkheimer, Zygmunt Bauman e Antonio Gramsci, cujas análises são reinterpretadas para explicar fenômenos atuais de desmobilização política.
O estudo adota metodologia qualitativa e bibliográfica, analisando como o conformismo silencioso emerge da combinação entre o colapso da esfera pública, a absorção da crítica pelo sistema, a pedagogia do consenso e a liquefação dos vínculos sociais. Diferencia-se de conceitos como apatia, alienação ou despolitização, pois descreve um estado em que existe consciência crítica parcial, mas a ação é substituída pela adaptação silenciosa. O artigo também identifica manifestações desse fenômeno em diferentes esferas: nas redes sociais, onde o engajamento se limita a performances simbólicas; no ambiente de trabalho, com a aceitação de normas injustas em troca de estabilidade; na educação, pela reprodução acrítica de conteúdos; e no espaço urbano, pela naturalização da violência e da exclusão. Ao propor essa categoria teórica original, busca-se oferecer uma ferramenta analítica capaz de diagnosticar mecanismos que desencorajam o agir, abrindo caminho para pesquisas futuras e práticas que reativem o sentido político da ação coletiva.
Biografia do Autor
Universidade Federal de São Paulo - Unifesp.
Referências
ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
ARENDT, Hannah. A condição humana. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2014.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
MARCUSE, Herbert. O homem unidimensional. Rio de Janeiro: Edipro, 2015.
