A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHERES E O PAPEL DO ASSISTENTE SOCIAL
DOI:
https://doi.org/10.47820/recima21.v7i2.7226Palavras-chave:
Serviço Social, Violência Doméstica, Direitos Humanos, Formação Profissional, Tecnologia SocialResumo
O estudo investiga a dimensão da práxis do assistente social e, assim, objetivou-se analisar a atuação desse profissional no enfrentamento à violência doméstica contra mulheres, considerando os contornos legais e os desafios institucionais que permeiam essa atuação. O problema da pesquisa reside na busca por estratégias de intervenção que não apenas respondam às demandas imediatas, mas que garantam a proteção integral dos direitos humanos e a ruptura do ciclo de abusos. Metodologicamente, a investigação fundamenta-se em uma abordagem qualitativa e analítica, por meio de revisão bibliográfica sistemática de produções científicas publicadas entre os anos de 2019 e 2025. Essa delimitação temporal permite uma compreensão atualizada das dinâmicas sociais e das normativas vigentes, como a Lei Maria da Penha e a rede de proteção socioassistencial. Os resultados evidenciam que a qualificação da resposta profissional depende, substancialmente, de três pilares: o investimento em formação continuada, a apropriação de tecnologias sociais inovadoras e, sobretudo, uma leitura crítica baseada na interseccionalidade. Reconhecer como as categorias de gênero, raça e classe se sobrepõem é vital para compreender as vulnerabilidades específicas de cada mulher. Em suma, conclui-se que a atuação do assistente social deve ultrapassar o caráter burocrático, consolidando-se como articulador entre as políticas públicas e o fortalecimento da autonomia feminina. Tal postura reafirma o compromisso ético-político da profissão com a justiça social e com o horizonte da emancipação humana, essenciais para a construção de uma sociedade livre de violência.
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