BRANDING PESSOAL E CAPITAL POLÍTICO COMO MECANISMOS DE CONVERSÃO ENTRE PERFORMANCE E RECONHECIMENTO: UMA ANÁLISE DESCRITIVA DO GAP PERFORMANCE-RECONHECIMENTO-PROMOÇÃO NO CORPORATIVO
Resumo
A progressão de carreira em organizações corporativas costuma ser apresentada como consequência direta de desempenho e mérito individual. Contudo, a observação sistemática das trajetórias profissionais revela uma discrepância recorrente entre performance, reconhecimento e promoção, especialmente em contextos marcados por assimetrias de poder e dinâmicas políticas. Este artigo examina essa lacuna a partir de uma abordagem teórico-conceitual, argumentando que o avanço hierárquico depende não apenas da entrega de resultados, mas da existência de mecanismos capazes de converter desempenho em legitimidade organizacional. Baseado na literatura sobre poder organizacional, dependência de recursos, reputação e estudos de gênero, o estudo propõe o conceito de Marca Corporativa Política (MCP) como mecanismo de mediação entre capital humano e influência institucional. Sustenta-se que três processos interdependentes, tradução estratégica da performance, validação social por atores com poder decisório e legitimação simbólica em arenas políticas, condicionam a probabilidade de reconhecimento e promoção. O artigo reconhece debates sobre meritocracia e agência individual e considera o argumento de que sistemas formais de avaliação poderiam neutralizar tais assimetrias. Argumenta-se, contudo, que mesmo estruturas formalizadas operam sob julgamento interpretativo e risco político. A análise sugere que a performance constitui condição necessária, mas insuficiente, para progressão, especialmente para mulheres em posições intermediárias de liderança, cuja conversão de competência em autoridade é atravessada por vieses reputacionais. O modelo oferece implicações teóricas e práticas para compreender o crescimento de carreira em ambientes organizacionais politicamente complexos.
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