PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE NEONATOS VÍTIMAS DE ESTUPRO NOTIFICADOS NO ESTADO DO AMAZONAS
Resumo
Violência sexual infantil é conceituada como qualquer ato ou jogo sexual em que uma pessoa com estágio de desenvolvimento psicossocial mais avançado faz com o objetivo de estimular sexualmente uma criança, nesse cenário, a vítima não pode compreender totalmente e não é capaz de consentir o ato, visto que, são incompatíveis ao seu desenvolvimento psíquico e emocional. O objetivo deste estudo é descrever o perfil epidemiológico de neonatos vítimas de estupro notificados no estado do Amazonas no período de 2015 a 2023. Trata-se de um estudo descritivo, com dados das fichas de notificação das violências interpessoais/autoprovocadas de neonatos vítimas de estupro; para traçar o perfil, foram estudadas variáveis sobre a caracterização da vítima, da ocorrência e do autor. Os dados foram analisados através da estatística descritiva com frequência absoluta e relativa. Sendo utilizado o software Jamovi versão 2.3.28 para a análise dos microdados disponíveis em planilhas. Houve 61 casos notificados, com ocorrência em 18 municípios do estado, 82,0% eram neonatos precoces, 85,2% meninas, 72,1% pardas e 82,0% sem deficiência, 95,1% notificadas por unidades de alta complexidade, 63,9% ocorreram na residência e 34,4% foram reincidentes, os agressores eram 88,2% homens, 24,6% conhecidos, 45,9% adultos, 47,5% sem suspeita de uso de álcool e em 82,0% tinham apenas um envolvido. o perfil dos casos se apresentou compatível com o cenário nacional, observando incompletudes e inconsistências dos dados, e refletindo a importância de capacitações para identificação e notificação dos estupros contra neonatos.
Biografia do Autor
Enfermeira. Formada pela Universidade do Estado do Amazonas. Especialista em em Enfermagem Neonatal. Manaus-AM, Brasil.
Doutora em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (IMS) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Mestre em Biologia Urbana pela Universidade Nilton Lins. Possui graduação em Enfermagem pela Universidade do Estado do Amazonas. É titulada pela ABENTI em Enfermagem em Terapia Intensiva Neonatal. Tutora do Método Canguru, Tutora da Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) e da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) pelo Ministério da Saúde. Coordenadora da Liga de Neonatologia- LANENF-UEA.
Integra a categoria de docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade do Estado do Amazonas. Atua como docente na Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas. Estuda Epidemiologia das violências interpessoais, comunitárias e familiares. Doutora em Saúde Coletiva, com área de concentração em Epidemiologia, pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
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