A CEGUEIRA DE L’HÔPITAL NO EXCEL: O COLAPSO COMPUTACIONAL ENTRE INDETERMINAÇÃO (0/0) E DIVISÃO NÃO DEFINIDA (A/0) E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA GLOBAL

Resumo

A distinção entre indeterminação e impossibilidade constitui um princípio fundamental da matemática. Enquanto 0/0 configura uma forma indeterminada, a divisão de um número não nulo por zero não é definida no conjunto dos números reais. Embora essa diferenciação esteja consolidada no cálculo, sua representação em ferramentas digitais pode assumir configurações divergentes. Este estudo investiga esse fenômeno por meio de uma análise experimental comparativa em quatro contextos: cálculos realizados em células de planilha e rotinas em VBA no Microsoft Excel, resultados apresentados pela Windows Calculator e interpretações conceituais fornecidas por sistema de inteligência artificial. Os resultados mostram que, no ambiente de células do Excel, expressões matematicamente distintas são reduzidas a uma única condição de erro, caracterizando um colapso computacional na representação dessas operações. Em contraste, tanto o ambiente VBA quanto a calculadora do sistema operacional e a interpretação conceitual analisada preservam a distinção entre os casos considerados. Esses achados evidenciam que diferentes ambientes computacionais podem tratar de forma não equivalente operações matemáticas fundamentais, com implicações relevantes para contextos educacionais. Ao ocultar distinções conceituais essenciais, determinadas representações podem influenciar a compreensão de noções básicas da análise matemática, especialmente em situações de aprendizagem mediadas por tecnologia.

 

Biografia do Autor

Rafael Alberto Gonçalves, FURB

Escritor e professor universitário em temas relacionados às ciências exatas e tecnologias educacionais. Mestre em Ciências Naturais e Matemática pela Universidade Regional de Blumenau – FURB (2012). Especialista em Metodologia do Ensino de Matemática pelo IBPEX (2006). Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE (2000). Possui formação pedagógica de docentes pelo Centro Universitário de Jaraguá do Sul – UNERJ (2006). Atua como professor no ensino profissional e tecnológico, nas modalidades de ensino técnico de nível médio, graduação tecnológica e pós-graduação. Possui mais de 20 anos de experiência em processos contábeis, administrativos e produtivos na região do Vale do Itapocu – SC.

Referências

APOSTOL, Tom M. Calculus: one-variable calculus, with an introduction to linear algebra. 2. ed. New York: John Wiley & Sons, 1974.

ARTIGUE, Michèle. Learning mathematics in a CAS environment: the genesis of a reflection about instrumentation and the dialectics between technical and conceptual work. International Journal of Computers for Mathematical Learning, Dordrecht, v. 7, n. 3, p. 245–274, 2002.

BORBA, Marcelo de Carvalho; VILLARREAL, Monica. Humans-with-media and the reorganization of mathematical thinking: information and communication technologies, modeling, visualization and experimentation. New York: Springer, 2005.

DRIJVERS, Paul et al. Digital tools in mathematics education: a critical review. Mathematics Education Research Journal, Dordrecht, v. 25, n. 4, p. 627–640, 2013.

DUVAL, Raymond. Registers of semiotic representation and the cognitive functioning of mathematical thinking. Educational Studies in Mathematics, Dordrecht, v. 41, n. 1, p. 37–65, 1999.

GONÇALVES, Rafael Alberto. Aritmética no Excel: o silêncio da Microsoft frente à educação global. ARACÊ – Revista Brasileira de Tecnologia Educacional, São José dos Pinhais, v. 7, n. 9, p. 1–20, 2025 DOI: https://doi.org/10.56238/arev7n9-086

GONÇALVES, Rafael Alberto. Introdução à matemática financeira por meio de planilhas eletrônicas: Calc & Excel no ensino médio. Saarbrücken: Novas Edições Acadêmicas, 2014.

GONÇALVES, Rafael Alberto; MARTIM, Robert F. Série ao extremo: programando o Excel com VBA – do básico até banco de dados e APIs do Windows. Juatuba, MG: Instituto Alpha Educação a Distância e Editora, 2018.

HOYLES, Celia; LAGRANGE, Jean-Baptiste (org.). Mathematics education and technology: rethinking the terrain. New York: Springer, 2010.

HOYLES, Celia; NOSS, Richard. What can digital technologies take from and bring to research in mathematics education? In: BISHOP, Alan et al. Second international handbook of mathematics education. Dordrecht: Springer, 2003. p. 323–349.

KILPATRICK, Jeremy; SWAFFORD, Jane; FINDELL, Bradford (ed.). Adding it up: helping children learn mathematics. Washington, DC: National Academy Press, 2001.

MORENO-ARMELLA, Luis; HOYLES, Celia. From static to dynamic mathematics: historical and representational perspectives. Educational Studies in Mathematics, Dordrecht, v. 103, n. 2, p. 135–156, 2020.

NIESS, Margaret L. Preparing teachers to teach science and mathematics with technology: developing a technology pedagogical content knowledge. Hershey: IGI Global, 2012.

PAPERT, Seymour. Mindstorms: children, computers, and powerful ideas. New York: Basic Books, 1980.

SCHOENFELD, Alan H. Mathematical problem solving. Orlando: Academic Press, 1985.

SPIVAK, Michael. Calculus. 3. ed. Houston: Publish or Perish, 1994.

TRIGUEROS, María; BORBA, Marcelo de Carvalho. The use of digital technology in the teaching and learning of mathematics. ZDM Mathematics Education, Berlin, v. 54, n. 5, p. 1021–1035, 202.

Como Citar

Gonçalves, R. A. (2026). A CEGUEIRA DE L’HÔPITAL NO EXCEL: O COLAPSO COMPUTACIONAL ENTRE INDETERMINAÇÃO (0/0) E DIVISÃO NÃO DEFINIDA (A/0) E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA GLOBAL. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 7(4), e747679. https://doi.org/10.47820/recima21.v7i4.7679