ENTRE O CONTEXTO SOCIAL E O CUIDADO ORAL: DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE E AUTOPERCEPÇÃO DA SAÚDE BUCAL EM GESTANTES ATENDIDAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
Resumo
Determinantes Sociais da Saúde (DSS), juntamente com autopercepção relacionada ao conhecimento, atitude e prática (CAP), e estado de saúde bucal, podem influenciar a saúde de gestantes e de seus bebês. Este estudo teve como objetivo analisar associações entre DSS, práticas de cuidado bucal, autopercepção de CAP e estado de saúde bucal em gestantes universitárias. Trata-se de um estudo transversal, analítico, observacional, com abordagem quantitativa, realizado com gestantes em acompanhamento pré-natal em três Unidades de Atenção Primária à Saúde em Acarape, Ceará, Brasil, de setembro a dezembro de 2023. Após consentimento informado, foi aplicado o Inquérito Domiciliar de CAP em Saúde Bucal. Os dados foram analisados de forma descritiva e inferencial. Entre as 54 participantes, 70,37% tinham 30 anos ou menos, 79,63% apresentavam renda familiar de até um salário mínimo, 98,15% relataram uso de creme dental e 61,11% não utilizavam fio dental. Quanto à autopercepção, 62,96%, 75,93% e 74,07% apresentaram percepções adequadas de conhecimento, atitude e prática, respectivamente. Foram observadas associações significativas entre autopercepção do conhecimento em saúde bucal e pior percepção do estado de saúde bucal, bem como entre não uso de fio dental e autopercepção negativa. Adicionalmente, foi encontrada associação entre autopercepção adequada da atitude e não uso de fio dental. Conclui-se que os DSS estão associados à vulnerabilidade social e influenciam as práticas de saúde bucal entre gestantes. Além disso, existem discrepâncias entre autopercepção de CAP e percepção do estado de saúde bucal, indicando a necessidade de estratégias educativas e preventivas direcionadas.
Biografia do Autor
Enfermeiro pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
Enfermeira, mestre e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem - Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
Acadêmico de Enfermagem - Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
Enfermeiro e mestre pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), doutor pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Morfofuncionais – Universidade Federal do Ceará (UFC) e pós-doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias – Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Enfermeira e mestre pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem – Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
Acadêmica de Farmácia - Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
Veterinária pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), mestre e doutora pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias – UECE e docente dos Cursos de Enfermagem, Farmácia e Medicina da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
Odontóloga pela Universidade Federal do Ceará (UFC), mestre pelo Programa de Pós-graduação em Farmacologia – UFC, doutora pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas – UFC e docente dos Curso de Enfermagem, Farmácia e Medicina da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).
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