INTERVENÇÃO PRECOCE FONOAUDIOLÓGICA EM CRIANÇA PREMATURA POR COVID-19: RISCO DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E A EVOLUÇÃO DA LINGUAGEM
Resumo
Objetivo: Descrever a evolução fonoaudiológica longitudinal de uma criança com histórico de prematuridade extrema decorrente de complicações maternas por COVID-19, com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), enfatizando a eficácia da intervenção precoce e da mediação parental. Metodologia: Relato do Caso: Paciente com histórico de internação prolongada em UTIN, acompanhado em serviço de reabilitação desde os quatro meses de idade. Aos 25 meses, a avaliação específica para rastreio de TEA, utilizando os protocolos M-CHAT-R e PROC, evidenciou perfil funcional de Nível 2 de suporte. A intervenção foi pautada no Modelo Denver (ESDM), com treinamento parental focado na figura paterna e suporte interdisciplinar em psicologia, o que favoreceu a estabilização comportamental. Resultados: Aos quatro anos, no fechamento do diagnóstico, a criança evoluiu para o Nível 1 de suporte. Atualmente, aos seis anos, o paciente possui comunicação verbal funcional, com foco terapêutico voltado para a consciência fonológica e nas habilidades do processamento linguístico. Conclusão: A intervenção fonoaudiológica precoce, fundamentada na neuroplasticidade e iniciada antes do diagnóstico final, foi decisiva para a mudança do prognóstico funcional. A integração entre fonoaudiologia e psicologia, aliada ao engajamento familiar, permitiu a transição entre níveis de suporte e o desenvolvimento de competências metalinguísticas essenciais. O caso demonstra que o suporte especializado contínuo é determinante para a funcionalidade comunicativa e integração social do indivíduo com TEA.
Biografia do Autor
Fonoaudióloga do Centro de Reabilitação da Secretaria Municipal de Rio das Ostras.
Psicóloga do Centro de Reabilitação da Secretaria Municipal de Saúde de Rio das Ostras.
Orientadora. Professora Doutora do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF) – Campus Rio das Ostras. Pós-doutoranda em Enfermagem e Biociência pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
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