LITERATURA DISTÓPICA E SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA: EXPERIÊNCIAS FORMATIVAS NO ENSINO MÉDIO ENTRE CRÍTICA SOCIAL, TECNOLOGIA E SABERES TRADICIONAIS
Resumo
O presente artigo analisa uma experiência pedagógica desenvolvida com estudantes do ensino médio a partir da leitura e discussão de obras clássicas da literatura distópica, relacionando-as aos desafios da sociedade contemporânea. A proposta didática teve como base os livros 1984, Fahrenheit 451, O Doador de Memórias e Admirável Mundo Novo. A aula foi conduzida em perspectiva dialogada, estimulando reflexões sobre vigilância, manipulação da informação, consumismo, tecnologia, memória e apagamento de saberes tradicionais. Fundamenta-se teoricamente nas contribuições de Jorge Larrosa sobre experiência e formação, articuladas ao papel da literatura como dispositivo crítico no espaço escolar. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, de natureza descritiva e interpretativa, baseada em relato de experiência. Os resultados indicam que a literatura distópica favorece o pensamento crítico, amplia repertórios culturais e possibilita conexões significativas entre ficção, realidade social e projetos de futuro. Conclui-se que o trabalho com obras literárias em sala de aula pode fortalecer a formação humana e cidadã dos jovens, especialmente quando articulado ao debate entre inovação tecnológica e preservação de saberes históricos e comunitários.
Referências
BRADBURY, Ray. Fahrenheit 451. São Paulo: Biblioteca Azul, 2012.
HUXLEY, Aldous. Admirável mundo novo. São Paulo: Globo, 2001.
LARROSA, Jorge. Tremores: escritos sobre experiência. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
LOWRY, Lois. O doador de memórias. São Paulo: Arqueiro, 2014.
ORWELL, George. 1984. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
