INTERSECCIONALIDADES NA EJA A DISTÂNCIA: GÊNERO, RAÇA E CLASSE EM AMBIENTES VIRTUAIS

Resumo

O presente artigo analisa as interseccionalidades de gênero, raça e classe na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a distância, com foco nos desafios e potencialidades dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs). Por meio de uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, fundamentada na categoria analítica da interseccionalidade, buscou-se compreender como essas dimensões se entrecruzam na trajetória de estudantes da EJA que acessam a modalidade a distância. Os dados analisados revelam que, embora a EAD possa ampliar o acesso à escolarização, ela também reproduz desigualdades históricas, especialmente quando os estudantes enfrentam múltiplas vulnerabilidades sociais e tecnológicas. Mulheres negras, pessoas de baixa renda e sujeitos de territórios periféricos são os mais afetados pelas lacunas no acesso digital e pelas ausências de políticas inclusivas e currículos que considerem suas vivências. Conclui-se que a construção de práticas pedagógicas interseccionais e inclusivas é urgente para garantir a permanência e a aprendizagem significativa desses sujeitos. A formação docente crítica e políticas públicas estruturantes são elementos indispensáveis para que a EJA a distância cumpra seu papel social emancipador.

Biografia do Autor

Alcimar José Silva

Ivy Enber Christian University.

Ozemar da Silva Araújo

Bacharel em Ciências Contábeis. Ivy Enber Christian University.

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Como Citar

Silva, A. J., & Araújo, O. da S. (2025). INTERSECCIONALIDADES NA EJA A DISTÂNCIA: GÊNERO, RAÇA E CLASSE EM AMBIENTES VIRTUAIS. RECIMA21 - Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 6(7), e676541. https://doi.org/10.47820/recima21.v6i7.6541