PRECISÃO MATEMÁTICA NO MICROSOFT EXCEL: A PERSISTÊNCIA DA ANOMALIA −1^0 E SEUS IMPACTOS EDUCACIONAIS
Resumo
A matemática escolar baseia-se em convenções simbólicas estáveis que asseguram a interpretação inequívoca de expressões algébricas, como a precedência da potenciação sobre o operador unário negativo, segundo a qual −1^0 resulta em −1. Em contextos educacionais mediados por tecnologias digitais, entretanto, a validação do conhecimento matemático passa a depender de artefatos computacionais que exercem autoridade epistêmica sobre estudantes e professores. Este estudo examina como essa mediação pode interferir na formação conceitual, tomando como caso paradigmático a avaliação de −1^0. Trata-se de um estudo de caso qualitativo realizado com estudantes do ensino médio em contexto regular de sala de aula, envolvendo a análise comparativa da interpretação da expressão em diferentes ambientes computacionais. Observa-se que o Microsoft Excel retorna 1 na célula, enquanto outros ambientes do mesmo ecossistema, como o VBA, o Copilot e a Calculadora Científica do Windows, preservam a convenção algébrica e produzem −1. Argumenta-se que essa divergência não decorre de ambiguidade matemática, mas de escolhas de implementação que atuam como mediadores cognitivos do conhecimento. Em escala global, tais mediações tendem a naturalizar resultados computacionais, induzir interpretações algébricas incorretas e deslocar a autoridade conceitual do domínio matemático para o tecnológico, comprometendo a alfabetização algébrica e a autonomia epistemológica dos estudantes. O artigo discute as implicações pedagógicas desse processo e contribui para uma compreensão crítica do papel das tecnologias digitais na educação matemática contemporânea.
Biografia do Autor
Escritor e Professor Universitário. Mestre em Ciências Naturais e Matemática pela Universidade Regional de Blumenau - FURB (2012). Especialista em Metodologia do Ensino de Matemática - IBPEX. Bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE. Possuí formação Pedagógica de Docentes pelo Centro Universitário de Jaraguá do Sul - UNERJ. É professor do ensino profissional e tecnológico. Possui mais de 20 anos de experiência em processos contábeis, administrativos e produtivos na região do Vale do Itapocu-SC.
Referências
BROUSSEAU, Guy. Theory of didactical situations in mathematics. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 1997.
CHEVALLARD, Yves. La transposition didactique: du savoir savant au savoir enseigné. 2. ed. Grenoble: La Pensée Sauvage, 1991.
GONÇALVES, Rafael Alberto. Introdução à matemática financeira por meio de planilhas eletrônicas. 2012. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências Naturais e Matemática) — Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, 2012.
GONÇALVES, Rafael Alberto. Microsoft Excel e a precisão matemática: reflexões sobre potenciação, desafios educacionais e possibilidades de inovação. In: Educational Sciences: Perspectives and Interdisciplinary Practices, 2025. DOI: https://doi.org/10.56238/sevened2025.019-004 DOI: https://doi.org/10.56238/arev7n4-282
HOYLES, Celia; NOSS, Richard. Rethinking the mathematics curriculum: the role of digital technologies in shaping mathematical knowledge. London: Springer, 2015.
HUTCHINS, Edwin. Cognition in the wild. Cambridge: MIT Press, 1995. DOI: https://doi.org/10.7551/mitpress/1881.001.0001
NORMAN, Donald A. The design of everyday things. New York: Basic Books, 2013.
SELWYN, Neil. Education and technology: key issues and debates. 2. ed. London: Bloomsbury Academic, 2016. DOI: https://doi.org/10.5040/9781474235952
SKOVSMOSE, Ole. An invitation to critical mathematics education. Rotterdam: Sense Publishers, 2011. DOI: https://doi.org/10.1007/978-94-6091-442-3
