A ECONOMIA PRISIONAL NA SOCIOLOGIA CRIMINAL BRASILEIRA E O CIRCUITO DE COMÉRCIO NAS PRISÕES: CONTINUIDADES, RUPTURAS E SENTIDOS CONTEMPORÂNEOS
DOI:
https://doi.org/10.47820/recima21.v7i1.7181Palavras-chave:
economia prisional, circuito de comércio, sociologia criminal, FacçõesResumo
O presente artigo examina a constituição intelectual, histórica e sociológica da economia prisional no Brasil, com foco no fenômeno denominado circuito de comércio que estrutura as relações internas das prisões brasileiras. O trabalho se organiza em três eixos: primeiramente, apresenta os traços do circuito de comércio identificados nos pioneiros estudos prisionais; logo explora a conexão entre a produção sociológica brasileira e a consolidação do circuito antes da virada do século XXI; e por fim, articula a produção contemporânea que sistematiza o fenômeno como elemento central da governança prisional e da economia criminal. Demonstra-se que o circuito de comércio, embora não nomeado nos estudos iniciais, já se manifestava enquanto estrutura de trocas, coerção, hierarquia, moralidade e regulação informal das condutas. Argumenta-se que a expansão das facções prisionais, somada à precariedade institucional, consolidou um sistema econômico intramuros que é hoje uma das principais engrenagens de poder no cárcere. Conclui-se que compreender o circuito de comércio é fundamental para analisar a violência contemporânea, a expansão do encarceramento e a economia política da punição no Brasil.
Downloads
Referências
ADORNO, Sérgio. Crime e violência urbana. São Paulo: Editora da USP, 1991.
ANGOTTI, Bruna. Mulheres encarceradas e economia do cuidado. São Paulo: Editora Unesp, 2019.
COELHO, Edmundo Campos. A oficina do diabo: criminalidade e prisões no Brasil. Rio de Janeiro: Record, 2005.
DIAS, Camila Nunes. PCC: hegemonia nas prisões e monopólio da violência. São Paulo: Saraiva, 2013.
FELTRAN, Gabriel. Irmãos: uma história do PCC. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
GODOY, Rafael. Economias morais do cárcere. Brasília: Editora UnB, 2015.
MISSE, Michel. Acumulação social da violência. Rio de Janeiro: FGV, 2019.
PADOVANI, Natália. Entre mulheres e muros: gênero e punição. Campinas: Editora da Unicamp, 2018.
PAIVA, Luiz Fabio. Facções, territórios e economias criminais. Fortaleza: Edições UFC, 2020.
PAIXÃO, Antônio Luiz. Reciprocidades no cárcere. Belo Horizonte: UFMG, 1991.
RAMALHO, José Ricardo. O mundo do crime: a ordem pelo avesso. São Paulo: Brasiliense, 1979.
URRUTIA, Eduardo Pinheiro. O circuito de comércio do sistema prisional brasileiro. Tese (Doutorado em Sociologia) – Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2024.
ZALUAR, Alba. A máquina e a revolta: as organizações populares e o significado da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 1985.
Downloads
Publicado
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 RECIMA21 -Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição 4.0.
Os direitos autorais dos artigos/resenhas/TCCs publicados pertecem à revista RECIMA21, e seguem o padrão Creative Commons (CC BY 4.0), permitindo a cópia ou reprodução, desde que cite a fonte e respeite os direitos dos autores e contenham menção aos mesmos nos créditos. Toda e qualquer obra publicada na revista, seu conteúdo é de responsabilidade dos autores, cabendo a RECIMA21 apenas ser o veículo de divulgação, seguindo os padrões nacionais e internacionais de publicação.






