O EXCEL E O SILÊNCIO SEMÂNTICO: UMA CRÍTICA HISTÓRICO-CONCEITUAL À FUNÇÃO POWER NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.47820/recima21.v7i1.7179Palavras-chave:
Excel 365; Função POWER; Semântica e nomenclaturaResumo
O Excel consolidou-se ao longo de décadas como a principal ferramenta de planilhas eletrônicas, e sua versão 365 é hoje amplamente utilizada em ambientes escolares e profissionais. Sua função POWER (number, power), embora execute corretamente o cálculo, apresenta uma inversão semântica em relação à convenção didática, que associa “potência” ao resultado da operação. Essa escolha terminológica, aparentemente simples, torna-se crítica devido à hegemonia histórica do Excel, cuja ampla difusão influencia diretamente a forma como o conhecimento matemático é mediado e compreendido. A análise baseou-se em observação comparativa das funções em diferentes softwares, em testes práticos de aplicação e em leitura semântica de seus argumentos. A comparação com o Google Sheets, que utiliza POWER (base, exponent) em conformidade com os livros escolares, evidencia que não se trata de limitação técnica, mas de opção de design. Essa divergência mostra que softwares educacionais não são neutros, pois suas escolhas semânticas podem facilitar ou dificultar a aprendizagem. Nesse cenário, a possibilidade de personalizar funções, como POWER_TEST (Base, Exponent), demonstra que é viável alinhar a planilha eletrônica às convenções didáticas, favorecendo a clareza conceitual e fortalecendo o aprendizado quando tais ferramentas digitais são incorporadas ao ensino. O Copilot, dentro do mesmo ecossistema Microsoft, confirma a definição matemática correta e reforça que a divergência não decorre de incapacidade técnica, mas de uma escolha histórica de design. Essa escolha, ao ser amplamente difundida, impacta diretamente a clareza conceitual e a confiança epistêmica dos educandos.
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