O EXCEL E O SILÊNCIO SEMÂNTICO: UMA CRÍTICA HISTÓRICO-CONCEITUAL À FUNÇÃO POWER NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

Autores

  • Rafael Alberto Gonçalves FURB

DOI:

https://doi.org/10.47820/recima21.v7i1.7179

Palavras-chave:

Excel 365; Função POWER; Semântica e nomenclatura

Resumo

O Excel consolidou-se ao longo de décadas como a principal ferramenta de planilhas eletrônicas, e sua versão 365 é hoje amplamente utilizada em ambientes escolares e profissionais. Sua função POWER (number, power), embora execute corretamente o cálculo, apresenta uma inversão semântica em relação à convenção didática, que associa “potência” ao resultado da operação. Essa escolha terminológica, aparentemente simples, torna-se crítica devido à hegemonia histórica do Excel, cuja ampla difusão influencia diretamente a forma como o conhecimento matemático é mediado e compreendido. A análise baseou-se em observação comparativa das funções em diferentes softwares, em testes práticos de aplicação e em leitura semântica de seus argumentos. A comparação com o Google Sheets, que utiliza POWER (base, exponent) em conformidade com os livros escolares, evidencia que não se trata de limitação técnica, mas de opção de design. Essa divergência mostra que softwares educacionais não são neutros, pois suas escolhas semânticas podem facilitar ou dificultar a aprendizagem. Nesse cenário, a possibilidade de personalizar funções, como POWER_TEST (Base, Exponent), demonstra que é viável alinhar a planilha eletrônica às convenções didáticas, favorecendo a clareza conceitual e fortalecendo o aprendizado quando tais ferramentas digitais são incorporadas ao ensino. O Copilot, dentro do mesmo ecossistema Microsoft, confirma a definição matemática correta e reforça que a divergência não decorre de incapacidade técnica, mas de uma escolha histórica de design. Essa escolha, ao ser amplamente difundida, impacta diretamente a clareza conceitual e a confiança epistêmica dos educandos.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Rafael Alberto Gonçalves, FURB

    Mestre em Ensino de Ciências Naturais e Matemática pela FURB. Professor e pesquisador, com foco em inconsistências aritméticas no Microsoft Excel e no rigor da Educação Matemática Global.                                   

Referências

FEENBERG, A. Critical Theory of Technology. Oxford: Oxford University Press, 2017.

FREUDENTHAL, H. Mathematics as an Educational Task. Dordrecht: Reidel, 1973. DOI: https://doi.org/10.1007/978-94-010-2903-2_2

GOLDMAN, A. Epistemology and Cognition. Cambridge: Harvard University Press, 2001.

GONÇALVES, Rafael Alberto. Microsoft Excel e a precisão matemática: reflexões sobre potenciação, desafios educacionais e possibilidades de inovação. Revista Aracê, São José dos Pinhais, v. 7, n. 4, p. 20549–20573, 2025. DOI: 10.56238/arev7n4-282. DOI: https://doi.org/10.56238/arev7n4-282

HARDWIG, J. The Role of Trust in Knowledge. Journal of Philosophy, v. 88, n. 12, 1991. DOI: https://doi.org/10.2307/2027007

KAPUT, J. Technology and Mathematics Education. In: GROUWS, D. (Ed.). Handbook of Research on Mathematics Teaching and Learning. New York: Macmillan, 1992.

LUCKIN, R. Machine Learning and Human Intelligence. London: UCL Institute of Education Press, 2018.

MARECEK, Lynn; ANTHONY-SMITH, MaryAnne; MATHIS, Andrea Honeycutt. Elementary Algebra 2e. Houston, TX: OpenStax, 2020. Disponível em: https://openstax.org/details/books/elementary-algebra-2e. Acesso em: 30 dez. 2025.

MICROSOFT. History of Microsoft Excel. Redmond: Microsoft Docs, 2020. Disponível em: https://learn.microsoft.com/. Acesso em: 11 jan. 2026.

MICROSOFT. Copilot Documentation. Redmond: Microsoft Docs, 2024. Disponível em: https://learn.microsoft.com/. Acesso em: 11 jan. 2026.

NOSS, R.; HOYLES, C. Windows on Mathematical Meanings: Learning Cultures and Computers. Dordrecht: Kluwer, 1996. DOI: https://doi.org/10.1007/978-94-009-1696-8

POLYA, G. How to Solve It. Princeton: Princeton University Press, 1957.

SELWYN, N. Should Robots Replace Teachers? AI and the Future of Education. Cambridge: Polity Press, 2019.

SKEMP, R. Relational Understanding and Instrumental Understanding. Mathematics Teaching, n. 77, 1976.

WINNER, L. Do Artifacts Have Politics? In: The Whale and the Reactor. Chicago: University of Chicago Press, 1986.

Publicado

22/01/2026

Como Citar

Gonçalves, R. A. (2026). O EXCEL E O SILÊNCIO SEMÂNTICO: UMA CRÍTICA HISTÓRICO-CONCEITUAL À FUNÇÃO POWER NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA. RECIMA21 -Revista Científica Multidisciplinar - ISSN 2675-6218, 7(1), e717179. https://doi.org/10.47820/recima21.v7i1.7179